
Texto: Alexandre Cose | Leão Manso
O segundo dia do ADRO 2026, Sábado, 14 de Fevereiro, confirmou a maturidade organizativa e a adesão entusiástica dos cerca de 500 caminheiros, dirigentes e assistentes espirituais reunidos em Luanda para o Encontro Nacional da IV Secção da Associação dos Escuteiros Católicos de Angola (AECA).
Em declarações no final da jornada, Arieth Van-Dúnem, conhecida no movimento como Chefe Vária e Coordenadora Nacional do ADRO 2026, fez um balanço realista e positivo do dia, reconhecendo os desafios próprios de um evento desta dimensão, mas sublinhando o crescimento progressivo da dinâmica organizativa.
“Temos estado a fazer balanços diários. Hoje, para mim, a noite foi o auge”, afirmou, referindo-se particularmente ao momento da dinâmica do Terço montado, que marcou profundamente os participantes.
Painéis, oficinas e o “aprender fazendo”
O dia foi preenchido por painéis temáticos e oficinas práticas, realizadas ao longo da manhã e da tarde. Entre as experiências mais marcantes esteve a oficina de produção de hóstias e de terços.
Os jovens não apenas aprenderam os processos técnicos, como compreenderam o valor espiritual e simbólico dos elementos que preparam. As hóstias produzidas neste sábado serão utilizadas na celebração eucarística do dia seguinte, reforçando o sentido de pertença e participação activa na liturgia.
Já a produção artesanal dos terços despertou entusiasmo e espírito empreendedor entre os caminheiros. Segundo a Chefe Vária, alguns participantes manifestaram o desejo de continuar a confeccionar terços para comercialização futura, numa lógica de geração de rendimento e valorização do talento juvenil.
“Seria uma mais-valia para a associação. É gratificante ver que os jovens não apenas aprendem fazendo, mas também percebem que podem transformar isso numa oportunidade”, sublinhou.
Ajustes organizativos e melhoria contínua
Após os constrangimentos iniciais no modelo de distribuição de alimentação verificados no primeiro dia, a organização introduziu melhorias que resultaram num funcionamento mais eficiente ao longo deste sábado.
“Amanhã contamos que seja melhor do que hoje, e que segunda-feira terminemos da melhor maneira possível”, afirmou a Coordenadora Nacional, numa demonstração de espírito crítico e compromisso com a excelência.
DINÂMICA DOS 250 AMIGOS MOBILIZA PARTICIPANTES

A dinâmica lançada na abertura do ADRO — que desafia cada escuteiro a identificar e registar 250 novos amigos, com nome, contacto e diocese — continua a gerar grande mobilização.
Atendendo ao entusiasmo dos jovens, a organização decidiu conceder mais um dia para conclusão das listas. O prémio, ainda mantido em segredo, será anunciado após a missa dominical.
Mais do que uma simples recolha de contactos, a iniciativa tem promovido interacção real entre dioceses e fortalecido a comunhão nacional do movimento.
Momento mariano marca profundamente os jovens
A reza do Terço, sob a invocação de Mamã Muxima, Padroeira dos Escuteiros Católicos Angolanos, foi descrita como um dos momentos espiritualmente mais intensos do encontro.
Segundo a Chefe Vária, “sente-se que o Espírito Santo inundou aquele momento”. O ambiente de oração produziu efeitos visíveis na atitude dos jovens, que saíram transformados e recolhidos após a experiência.
Num gesto espontâneo de reconhecimento, a Coordenadora foi erguida ao colo pelos participantes, num momento simbólico de gratidão pela dedicação demonstrada na organização do evento.
“Foi um momento único. Tive medo, confesso, mas senti o carinho e o reconhecimento dos jovens. Isso mostra que vale a pena”, declarou emocionada, agradecendo o apoio constante da Coordenação Nacional.
Programação para o terceiro dia
Para este domingo, 15 de Fevereiro, está prevista a celebração da Santa Missa às 8h30, em horário ajustado para permitir a transmissão pela Rádio Maria. Seguem-se novos painéis e oficinas formativas.
Na parte da noite, o ADRO acolherá um espectáculo gospel com a artista Lisa Preciosa e a apresentação dos hinos oficiais compostos para esta edição do encontro.
Olhar para o futuro com prudência
Questionada sobre a possibilidade de já pensar na próxima edição, a Chefe Vária mostrou prudência. Com o calendário nacional a prever outras grandes actividades — incluindo o ACAPAPA, o Acampamento Nacional e o Encontro Nacional na Huíla — a prioridade é consolidar os frutos espirituais do presente ADRO.
“Lançámos a semente. Agora é esperar os frutos. Depois voltaremos a plantar”, concluiu.
Com dois dias ainda pela frente, o ADRO 2026 afirma-se como um espaço de crescimento espiritual, formação prática e consolidação da identidade escutista católica em Angola — numa síntese equilibrada entre oração, aprendizagem e fraternidade nacional.
Sempre Alerta para Servir.














