
No âmbito da conferência de imprensa de balanço final da visita apostólica de Sua Santidade o Papa Leão XIV a Angola, o Presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação Social da CEAST, Dom António Francisco Jaka, apresentou uma leitura estruturada e exigente sobre o desempenho da comunicação social durante os dias que marcaram a presença do Santo Padre no país.
Na sua intervenção, Dom Jaka sublinhou que a comunicação foi um dos pilares fundamentais para o sucesso da visita, permitindo não apenas informar, mas também unir, formar e envolver milhões de pessoas em torno da mensagem do Papa. Segundo afirmou, “não se tratou apenas de transmitir eventos, mas de comunicar um acontecimento espiritual de grande profundidade, com impacto nacional e internacional”.
O prelado destacou o elevado nível de coordenação entre os diferentes actores da comunicação — desde os órgãos públicos até aos privados, passando pelas estruturas eclesiais — sublinhando que essa articulação foi determinante para garantir uma cobertura contínua, coerente e tecnicamente sólida. “Houve um esforço conjunto que permitiu que Angola falasse com uma só voz, com clareza, responsabilidade e sentido de missão”, afirmou.
Ao referir-se à cobertura mediática, Dom António Francisco Jaka reconheceu o papel central da Televisão Pública de Angola, enquanto plataforma estruturante de broadcasting, responsável pela produção e distribuição das imagens que alimentaram os diferentes canais nacionais e internacionais. Nesse sentido, afirmou que “a qualidade técnica e a consistência editorial demonstradas estiveram à altura das exigências de um evento desta dimensão, merecendo reconhecimento institucional”.
Para além da componente técnica, o Presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação Social destacou também a qualidade do trabalho jornalístico desenvolvido ao longo da visita. Segundo observou, a cobertura foi marcada por rigor, profundidade e capacidade de leitura dos acontecimentos, com entrevistas, debates e reportagens que contribuíram para contextualizar e aprofundar a mensagem do Santo Padre. “Houve claramente preparação, estudo e responsabilidade na forma como a informação foi tratada e apresentada”, sublinhou.
Dom Jaka fez ainda questão de salientar que a comunicação desempenhou um papel decisivo na construção da imagem internacional de Angola durante a visita. Ao projectar para o mundo a capacidade de organização, hospitalidade e mobilização do país, os órgãos de comunicação contribuíram para reforçar a credibilidade institucional e o posicionamento de Angola no contexto global. “O que o mundo viu foi um país organizado, acolhedor e capaz de responder com dignidade a um evento de grande exigência”, afirmou.
Num outro momento da sua intervenção, o prelado chamou a atenção para a dimensão pastoral da comunicação, lembrando que, no contexto da Igreja, comunicar é também evangelizar. “Cada imagem, cada palavra, cada transmissão foi também um veículo da mensagem do Evangelho”, referiu, acrescentando que a missão comunicacional da Igreja deve continuar a investir na formação, na ética e na responsabilidade.
O responsável destacou igualmente os sinais de inovação observados durante a cobertura, nomeadamente a introdução de novas linguagens e recursos tecnológicos, como a realidade aumentada, que contribuíram para enriquecer a experiência dos telespectadores e aproximar a comunicação da Igreja das exigências contemporâneas.
Na parte final da sua intervenção, Dom António Francisco Jaka deixou um apelo à continuidade deste nível de exigência, defendendo que a experiência da visita papal deve servir como referência para futuros grandes eventos. “Este não é um ponto de chegada, mas um ponto de partida para consolidarmos uma cultura de comunicação mais profissional, mais integrada e mais consciente da sua missão”, afirmou.
A leitura apresentada por Dom Jaca confirma que, para além do impacto espiritual e pastoral, a visita do Papa Leão XIV a Angola deixou também um legado significativo no domínio da comunicação, demonstrando que, quando há coordenação, preparação e sentido de missão, é possível transformar um grande evento numa verdadeira experiência nacional de unidade e testemunho.
Alexandre Cose | Leão Manso



