
A visita de Sua Santidade o Papa Leão XIV a Angola, para além de ter sido um grande acontecimento para a Igreja, foi também um verdadeiro campo de prova, de fé e de serviço para os Escuteiros Católicos de Angola. E, no meio desta grande mobilização, surgem testemunhos que dizem tudo sobre o que foi viver o “Acapapa” por dentro.
Entre esses rostos estão duas dirigentes escutistas que, com simplicidade e verdade, traduzem o que milhares de jovens sentiram: Rossana Manuela Diogo Dias, totem Águia Indomável, do Agrupamento 322 – São João Paulo II, e Eliane Solange Daniel Gonçalves, totem Gata Amável, do Agrupamento 542.
Rossana fala com brilho nos olhos e sem esconder a intensidade da experiência. “Foi óptima e muito desafiadora”, começa por dizer, recordando os dias de preparação e execução. A adesão massiva — mais de três mil jovens — trouxe dificuldades inesperadas, mas também revelou a capacidade de resposta do movimento. “Aquilo destabilizou-nos um pouquinho, mas nada que a coordenação não resolvesse”, afirma com serenidade.
E quando se pergunta onde esteve o segredo para tudo ter corrido bem, a resposta vem com a identidade própria do escutismo: “O segredo esteve na fé e na boa disposição de espírito.”
Mas há momentos que marcam para a vida. Para Rossana, ver o Papa novamente — agora já adulta — foi uma experiência profundamente transformadora. “Senti aquela emoção, toda aquela fé, aquela energia de ser católica. Foi maravilhoso, sem palavras.”

Mais do que um evento, o Acapapa reforçou convicções. “Cheguei à conclusão que Igreja é Igreja e não estou arrependida da minha escolha”, afirma, com firmeza. E deixa ainda uma mensagem clara aos escuteiros e a todos os jovens: viver a fé, a fraternidade e o amor. “Que Deus seja sempre o nosso auxílio e que vivamos como irmãos.”
Já Eliane, com a tranquilidade de quem serviu nos bastidores, na área da logística, resume a experiência com uma palavra forte: missão cumprida. “A avaliação foi cem por cento. Trabalhámos em comunidade e deu para servir.”
Mesmo no meio das responsabilidades, conseguiu viver o seu momento com o Santo Padre. “Estive em Fátima, na linha de frente. Foi muito emocionante”, conta, ainda com a emoção presente.
Mas é quando fala da espiritualidade que a sua voz ganha outra densidade. “Não fiz a escolha errada. Pertencer à ECA é cem por cento. É uma espiritualidade muito forte. Deu para sentir aquele impacto com Deus.”
Entre amizade, companheirismo e fé, Eliane resume aquilo que leva desta experiência: “Levo tudo isso. Levo amizade, levo espiritualidade, levo companheirismo e levo muita fé.”
E quando se fala do futuro, não hesita: “Estamos organizados. Podemos preparar o nosso acampamento nacional sem dúvida nenhuma.”

Duas dirigentes, dois percursos, um mesmo espírito.
O “Acapapa” foi mais do que um evento. Foi um tempo de prova, de entrega e de confirmação. Confirmou que o escutismo católico em Angola está vivo, organizado e profundamente enraizado na fé. Confirmou que há uma juventude pronta para servir, pronta para acreditar e pronta para caminhar.
E, acima de tudo, confirmou aquilo que os escuteiros já sabem há muito tempo:
quando a missão chama, o escuteiro responde — com alegria, com fé e com coração.
Alexandre Cose | Leão Manso



