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TRÊS CAMINHEIRAS, UMA SÓ MISSÃO: DO ADRO AO ENCONTRO COM O PAPA, UMA EXPERIÊNCIA DE FÉ E SERVIÇO

A participação dos Escuteiros Católicos de Angola no ADRO 2026 e no apoio à visita do Papa Leão XIV continua a revelar histórias que inspiram, emocionam e dão rosto ao verdadeiro espírito da aventura escutista. Entre essas histórias, destacam-se três caminheiras que viveram com intensidade, a experiência única de seguir os passos do Papa Leão XIV, enquanto esteve entre nós, em Angola. Foi, no geral, uma experiência de entrega, missão, sacrifício e graça.

Margareth Morais Joaquim, da Paróquia São João Calábria;Rosária da Conceição, do Agrupamento 139 – São Carlos Lwanga; e Graça Maria Neto Dinis, do Agrupamento 131 – São João Baptista da Kazanga, estiveram na linha da frente do “Acapapa”, integrando o grupo de caminheiros que, ao aceitarem o desafio lançado em Fevereiro, durante o ADRO, conseguiram estabelecer pelo menos 250 contactos de amizade, garantindo assim o acesso à fase decisiva do sorteio público.

O que à partida parecia um simples desafio transformou-se numa autêntica prova de espírito escutista, marcada pela entrega, iniciativa e capacidade de mobilização. Entre as três protagonistas desta história, foi Graça Maria Neto Dinis quem acabou por ser contemplada com a participação no próximo Rovermoot, a realizar-se na Dinamarca, em Agosto de 2026, ao lado do caminheiro Clânio Mateus Samuel — uma conquista que simboliza não apenas mérito, mas também o valor do compromisso vivido ao longo de todo o percurso.

Contudo, a maior recompensa veio como gesto de estímulo da Coordenação Nacional ao garantir a todos os caminheiras admitidos aos sorteio, a possibilidade de estarem na linha de proximidade com o Santo Padre durante a sua visita a Angola.

“Falar do Acapapa é falar de missão”, afirmou Graça Maria Neto Dinis, com convicção. “Nós não viemos para nos divertir. Viemos para trabalhar para o nosso Santo Padre.”

Mas a missão caminhou lado a lado com a realização de um sonho. “Estar ao lado do Papa… poder senti-lo de perto… isso é a melhor decisão do mundo”, partilhou, ainda com emoção.

A surpresa também marcou a experiência. “Eu não contava que estaria tão próxima do Papa”, confessou, por sua vez a caminheira Rosária da Conceição. “Hoje tive essa oportunidade. Estou muito feliz e muito grata”, disse.

Já Margareth Joaquim trouxe uma leitura mais profunda, quase profética, do momento vivido. Para ela, a visita do Santo Padre chegou “num momento muito oportuno para o nosso país”, ajudando a reacender valores essenciais como a empatia, o amor ao próximo e a união entre irmãos.

E quando se fala de serviço, não há dúvidas: missão cumprida.
“A nossa divisa é servir — e conseguimos fazer isso muito bem”, afirmou com orgulho.

O caminho até aqui não foi fácil. Houve sacrifício pessoal, houve investimento, houve entrega, tal como diz a caminheira Rosária, sem reservas: “Gastei 30 mil kwanzas para estar aqui.” E quando questionada se valeu a pena, a resposta foi imediata: “Valeu a pena.”

Mas talvez o momento mais forte esteja na consciência do que tudo isto representa. Para Graça Maria, a caminheira que seguirá para a Dinamarca, o prémio não é apenas uma viagem — é uma conquista espiritual. “Para mim, isso é um sonho realizado. Não é todos os dias que pensamos que podemos estar ao lado do Papa”, disse, acrescentando: “O Evangelho na minha vida não é só palavra. É prática.”

E é exactamente essa prática que se transforma em mensagem para os outros.

“As actividades devem ser vividas com entrega, sem esperar recompensa”, deixou como apelo. “Se fizeres tudo por amor e para a glória de Deus, tudo dá certo.”

A caminheira Rosária da Conceição trouxe um testemunho de superação pessoal: durante anos, tentou participar em actividades nacionais sem sucesso, muitas vezes impedida pela doença. Mas decidiu não desistir. “Desta vez disse: vou, mesmo com doença. E consegui. Foi a minha primeira actividade nacional.”

E a conclusão é simples, mas poderosa: vai voltar.

Por fim, fica uma mensagem que resume o espírito vivido por estas três jovens:
“Devemos aprender a superar os obstáculos. Eles vão sempre existir, mas temos de ser fortes para continuar, com fé, com os nossos padroeiros e com a nossa divisa.”

TRÊS HISTÓRIAS. TRÊS CAMINHOS. UM SÓ IDEAL.

O ADRO e o Acapapa não foram apenas eventos — foram experiências transformadoras. E estas caminheiras provam que o escutismo católico em Angola continua a formar jovens capazes de servir, de acreditar e de ir mais além.

Porque no escutismo, nada se perde — tudo se transforma em missão.

TEXTO – Alexandre Cose | Leão Manso

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