Na abertura do ADRO, em Luanda, Dom Belmiro Cuica Chissengueti apelou à serenidade, maturidade e firmeza espiritual dos escuteiros católicos, pedindo fidelidade à identidade e aos princípios do movimento em tempos de mudança, com destaque para o quarto princípio: “O Escuta é amigo e irmão de todos os outros escuteiros.” Na homilia, o Bispo de Cabinda exortou à unidade, paz e reconciliação concretas, convocou os jovens a “ouvir mais e falar menos”, a rejeitar a fofoca e a usar as redes sociais como espaço de missão, valorizando a diversidade, a amizade e o testemunho público da fé que mantém viva a chama do Escutismo Católico em Angola.

Luanda 14 de Fevereiro de 2026 – O Bispo de Cabinda, Dom Belmiro Cuica Chissengueti, Assistente Nacional da Associação dos Escuteiros Católicos de Angola (AECA) e Presidente da Comissão Episcopal da Juventude, Vocações, Pastoral Universitária e Escutismo da CEAST, apelou ontem à serenidade, à maturidade e à firmeza espiritual dos escuteiros católicos, num momento que classificou como sendo de profundas mudanças e ajustamentos no seio do movimento, à luz das orientações pastorais recentemente sinalizadas pelos Bispos da CEAST.
Falando durante a homilia da Missa que marcou a abertura da 1.ª edição do ADRO, o prelado sublinhou que, mesmo em contextos de tensão ou incompreensão, os escuteiros são chamados a permanecer fiéis à sua identidade espiritual e aos seus princípios fundamentais. Recordou, de forma particular, o quarto princípio do Movimento:
“O Escuta é amigo e irmão de todos os outros escuteiros.”
Dom Belmiro reforçou que a fraternidade escutista não pode ser circunstancial nem selectiva, mas deve traduzir-se em gestos concretos de paz, reconciliação e unidade, mesmo quando surgem divergências ou desafios internos.
O ADRO, um Encontro Nacional que junta escuteiros caminheiros, dirigentes e assistentes espirituais, teve início, ontem, 13 de Fevereiro, no Colégio São José de Cluny, ao Kinaxixe, em Luanda.
Perante cerca de 500 participantes, o Prelado começou por recordar que os Escuteiros Católicos estão “sempre em casa da nossa Mãe, a Igreja”. Numa linguagem próxima e pedagógica, sublinhou que, estando em casa, é natural que se viva segundo as regras da própria casa — com responsabilidade, maturidade e fidelidade à identidade escolhida.
Sem ignorar os desafios recentes vividos pelo movimento, D. Belmiro Exortou os jovens a não cultivarem divisões, mas a cumprimentarem sempre, a insistirem na fraternidade e a manterem a paz, mesmo quando esta não é imediatamente correspondida.
OUVIR MAIS, FALAR MELHOR

Inspirando-se no Evangelho proclamado — a cura do surdo-mudo — o Bispo conduziu a assembleia a uma reflexão profunda sobre a escuta e a comunicação. Recordou que quem não ouve não pode falar com verdade e que, na vida cristã, é preciso “ouvir mais e falar menos”.
Alertou contra a fofoca, a precipitação e a palavra irresponsável, sublinhando que os ouvidos e a boca são dons que Deus nos dá para anunciar o bem e construir comunhão. O surdo-mudo, explicou, representa o homem fechado pelo pecado e pelo mal; Cristo, ao libertar-lhe os ouvidos e a língua, abre-o para a missão.
“Quando abraçámos a fé, já nos abriram os ouvidos e nos deram liberdade de língua para anunciar o amor de Deus”, afirmou, encorajando os caminheiros a não se calarem diante das injustiças e a testemunharem a fé também nos ambientes digitais.
Redes sociais como espaço de missão
Num tom directo e mobilizador, D. Belmiro desafiou os jovens a fazerem das redes sociais um espaço de evangelização e partilha positiva. Incentivou-os a publicar o que vivem no ADRO, a partilhar a alegria do encontro, a divulgar as actividades das suas dioceses e paróquias.
Destacou, como exemplo de dinamismo comunicativo, a Diocese do Namibe, elogiando a sua presença activa nas redes e convidando as demais dioceses a seguirem o mesmo caminho de visibilidade e testemunho.
Diversidade, amizade e crescimento
O Bispo valorizou igualmente a riqueza da diversidade presente no encontro. Convidou os caminheiros a saírem da zona de conforto, a conhecerem novas pessoas, a criarem novas amizades e a enriquecerem-se mutuamente.
“O Escutismo é também espaço de amizade”, afirmou, encorajando os jovens a aproveitarem cada momento para partilhar alegrias, tristezas e esperanças.
Força e coragem para manter viva a chama
Concluindo a homilia, D. Belmiro apelou à coragem e à responsabilidade de manter viva a chama do Escutismo Católico em Angola. Reforçou que a fé não pode ser silenciosa nem envergonhada, mas anunciada com alegria e coerência.
Entre aplausos e com o tradicional grito que ecoou pelo Colégio São José de Cluny, a assembleia respondeu com convicção:
Sempre Alerta para Servir!
Sempre Alerta para Servir!
Sempre Alerta para Servir!
Texto: Alexandre Cose | Leão Manso


