
TEXTO – Alexandre Cose | Leão Manso
A Coordenação Nacional da Associação dos Escuteiros Católicos de Angola (AECA), manteve no Sábado, 9 de Maio de 2026, um importante encontro de trabalho com os agrupamentos da Diocese de Viana. Foram horas de trabalho contínuo, durante as quais, a equipa liderada pelo Coordenador Nacional, Chefe Gilberto Gil Lopes conduziu uma série de reflexões profundas sobre os desafios, o crescimento e o futuro do Escutismo Católico.
O encontro reuniu membros da Coordenação Nacional, a Coordenação Diocesana da AECA em Viana, coordenadores de zona, chefes de agrupamento e dirigentes escutistas, num amplo momento de auscultação, avaliação e orientação estratégica.
Durante várias horas de diálogo aberto, foram debatidos temas ligados à disciplina interna; comunicação entre estruturas; expansão missionária; formação de dirigentes; organização dos agrupamentos; espiritualidade; relação com as famílias; ética dos dirigentes; funcionamento do SIGECA; e os desafios da consolidação institucional do movimento.
Logo no início da reunião, o Coordenador Nacional sublinhou que a Diocese de Viana ocupa actualmente um lugar central no crescimento do Escutismo Católico Angolano.
“Viana não é uma diocese qualquer. É uma das dioceses mais importantes do nosso movimento e, exactamente por isso, temos de trabalhar para que seja também exemplo de organização, disciplina e testemunho cristão”, afirmou o Chefe Gilberto Gil Lopes.

Segundo os dados apresentados durante o encontro, a Diocese de Viana conta actualmente com cerca de 5 mil escuteiros e mais de 400 dirigentes já cadastrados no SIGECA. Contudo, o processo de cadastramento continua em curso, o que significa que estes números deverão aumentar significativamente nos próximos meses, à medida que mais agrupamentos e efectivos forem integrados no sistema nacional da AECA.
A reunião permitiu igualmente identificar várias preocupações relacionadas com:
• dificuldades de comunicação entre agrupamentos e estruturas intermédias;
• falta de regularidade em algumas actividades;
• conflitos internos;
• insuficiente coordenação entre zonas e agrupamentos;
• fragilidades na formação de dirigentes;
• e comportamentos considerados incompatíveis com os valores do Escutismo Católico.
Num dos momentos mais fortes da intervenção, o Coordenador Nacional apelou à necessidade de reforçar a identidade moral, espiritual e institucional dos dirigentes escutistas.
“Nós somos escuteiros católicos. Não podemos transformar os nossos acampamentos em espaços de desordem, bebedeira ou comportamentos contrários aos valores da Igreja”, alertou o chefe Gilberto.
A liderança nacional reafirmou que a AECA pretende construir um movimento assente:
• na missão;
• no serviço;
• na espiritualidade;
• na disciplina;
• no voluntariado;
• e na responsabilidade moral dos dirigentes.
A Coordenação Nacional chamou igualmente atenção para a necessidade de os chefes assumirem um verdadeiro espírito de missão e de serviço à juventude.
“Isto é voluntariado. Ninguém está aqui por salário. Estamos aqui por amor à Igreja, por amor aos jovens e pelo compromisso de formar melhores cidadãos”, reforçou o Chefe Gilberto.

Outro dos pontos centrais do encontro foi a implementação do SIGECA, ferramenta digital que está a modernizar os mecanismos administrativos e estatísticos da associação.
A AECA informou que o sistema já ultrapassa os 13 mil escuteiros registados a nível nacional em 2026, estando Viana entre as dioceses mais activas no processo de cadastramento.
Durante a reunião foram apresentadas novas funcionalidades do sistema, incluindo:
• cartões digitais;
• utilização de QR Code;
• confirmação electrónica de presença em actividades;
• actualização anual de efectivos;
• controlo estatístico;
• gestão de promessas;
• e mecanismos de controlo organizacional.
A Coordenação Nacional alertou, contudo, para a necessidade de maior rigor no preenchimento dos dados dos escuteiros, incluindo fotografias, informações pessoais e actualização correcta dos processos.
Foi igualmente debatida a questão da gestão dos aspirantes, da realização das promessas e profissões de fé, bem como a necessidade de garantir que os dirigentes estejam em conformidade com os critérios espirituais e sacramentais definidos pela associação e pela Igreja.
Outro tema amplamente abordado foi a expansão do movimento na Diocese de Viana.
A Coordenação Nacional incentivou a Diocese a identificar novas paróquias e comunidades onde o Escutismo Católico ainda não está implantado, defendendo um crescimento organizado e sustentável.
“Não queremos crescimento desordenado. Queremos agrupamentos fortes, sustentáveis e preparados para durar”, salientou o Coordenador Nacional.
A reunião ficou ainda marcada por vários testemunhos de dirigentes sobre dificuldades locais, desafios de liderança, necessidades de apoio e experiências missionárias em comunidades mais afastadas.
Num ambiente de franqueza e reflexão, a liderança nacional apelou à superação de conflitos pessoais, intrigas, divisões internas e “espíritos de amiguismo”, defendendo uma cultura de diálogo, humildade e comunhão.
“Temos de aprender a ouvir-nos mais. O Escutismo Católico não pode ser espaço de arrogância nem de disputas pessoais. Somos chamados a servir”, sublinhou o Chefe Gilberto Lopes .
O encontro terminou com um forte apelo à unidade, à reorganização interna e ao reforço da missão evangelizadora do Escutismo Católico em Angola.



