
Caminheiros, dirigentes, família AECA: o Chefe Cláudio dos Santos reuniu, ao fim do dia 3 de Agosto, alguns dos nossos Rovers — Gilvan, Graça, Mateus e Mário — para um animado balanço da grande caminhada (Hiking) do Rover Moot 2026. E as histórias, garantimos, não deixam ninguém indiferente!
O Hiking é uma caminhada longa, entre 8 a 10 horas, pensada para dar a conhecer a cidade e a comunidade que acolhe o acampamento — pontos históricos, cultura, e um bocadinho da Dinamarca que cada participante leva consigo para casa. Divididos em 8 grupos, com percursos de 20, 30 ou 50 quilómetros, os nossos Caminheiros deram tudo por tudo!
Superar limites — literalmente!

A Graça Maria, integrada na Patrulha 14 (2 checos, 2 espanhóis, 2 ucranianos e 2 angolanos), tinha pela frente uma caminhada de 20 km… que se transformou em 35! “O ponto mais interessante foi superar os meus limites”, contou, orgulhosa — ajudando ainda a decifrar mapas e a resolver problemas do grupo pelo caminho.
O grupo do Mateus e do Mário também acabou por caminhar mais do que o previsto: dos 20 km iniciais, lá foram parar aos 35! Como recordou o Chefe Cláudio, citando Baden-Powell, “com um pontapé, tudo fica possível” — e foi mesmo essa a energia que animou o grupo ao longo de todo o percurso.
Fontes de água pura, frutos silvestres e um certo “Mi dá Só”

Uma das experiências mais bonitas partilhadas foi a das nascentes de água potável encontradas pelo caminho — proibidas para banho ou qualquer outro uso que não beber, com pedras colocadas pelos próprios moradores para atravessar sem sujar a água, sempre fresquinha e directa da nascente.
Houve também direito a provar frutos silvestres, oferecidos por um simpático dirigente checo, rapidamente apelidado, com carinho, de “Mi dá Só” — que ia sempre desaparecendo e voltando com novidades da vegetação local, sempre com o mesmo convite: “You want? It’s good!” E nós: “mi dá só!”, amaneira muito angolana de dizer “dá-me um pouco.”
Perder-se (e voltar a encontrar-se)!

Nem tudo foi caminho direito: alguns grupos perderam-se por 5 ou 6 vezes, entre interpretações diferentes do mapa e muita discussão sobre “vai para a direita” ou “vai para a esquerda“. A lição do dia, resumida pela Graça com humor: “Não acreditem em desconhecidos — se o teu coração disser que é à direita, vai à direita sozinho!”
Curiosamente, a bússola provou ser mais fiável do que o GPS do telemóvel, que em muitas zonas simplesmente não funcionava — e quem dominava bem os pontos cardeais lá ia encontrando sempre o caminho certo.
Missão flores: cumprida (e ultrapassada!)

Um dos desafios do dia era recolher pelo menos 10 espécies diferentes de flores e plantas. A equipa da Graça reuniu 7 ou 8; a do Gilvan conseguiu as 10, com a ajuda dos colegas espanhóis, especialistas em botânica local — havendo mesmo espécies parecidas com as que encontramos aqui em Angola! Mas quem bateu recorde foi mesmo o grupo do Mateus e do Mário: nada menos do que 51 espécies diferentes, graças à perícia botânica do já famoso “Mi dá Só”!
Nós, tripés e futebol pelo caminho
Na parte técnica, houve também aprendizagem: enquanto uns tiveram dificuldade em fazer os nós, a equipa do Gilvan brilhou na construção de um “barqueiro” muito bem feito, aprendendo mesmo uma técnica nova com os colegas de outras nações — a de rematar com um nó direito, útil nas actividades náuticas, e que promete ser adoptada também cá por Angola! O grupo do Mateus e do Mário também não ficou atrás, erguendo o seu próprio tripé.

E como nem só de caminhada vive um Caminheiro, houve ainda tempo para um jogo de bola improvisado com um colega ucraniano, e até uma sesta de 30 minutos na relva, à beira de um lago, para uma das equipas — recuperando energias antes de terminar o trilho!
Um dia cheio de aventura, aprendizagem e muitas boas histórias para contar — e a prova de que o espírito escutista não conhece fronteiras nem línguas!
Sempre alerta para servir!
Autoria: Alexandre Cose | Leão Manso, com base no relato do Chefe Cláudio dos Santos e da Delegação “King Mandume”









