
Bispo de Cabinda agradeceu o envolvimento da Coordenação Nacional da AECA na organização da Jornada e desafiou os jovens a regressarem às Dioceses como missionários, com a fé fortalecida
O Bispo de Cabinda, Dom Belmiro Cuica Chissengueti, destacou, , a presença “numerosa e verdadeiramente representativa” dos Escuteiros Católicos de Angola na IV Jornada Nacional da Juventude Católica, encerrada este Domingo, 16 de Agosto, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Luanda.
O prelado falava no final da missa de encerramento, depois de vários dias de encontro, oração, catequeses, cultura e convivência entre jovens vindos de diferentes Dioceses do país. Ao passar em revista as estruturas que tornaram possível a Jornada, Dom Belmiro dirigiu um agradecimento particular ao Chefe Gilberto, da Coordenação Nacional dos Escuteiros Católicos, associando o trabalho da AECA ao esforço das estruturas nacionais e arquidiocesanas da Pastoral Juvenil — classificando-as como algumas das “forças vivas” que animaram e organizaram todo o encontro. Mais adiante, ao agradecer a mobilização dos movimentos da Igreja, voltou a referir-nos expressamente, considerando os Escuteiros Católicos um grupo “numeroso e verdadeiramente representativo”.
Esta referência ganha um significado especial para a nossa Associação, cuja presença na Jornada não se limitou à participação dos nossos jovens — envolveu também Dirigentes e estruturas inteiras da AECA no apoio à realização de um dos maiores encontros nacionais da juventude católica.
“Não estamos sozinhos. Pertencemos a uma grande família”
Na sua intervenção, Dom Belmiro começou por recordar aos participantes o significado das Jornadas da Juventude dentro da experiência de fé de cada jovem católico: estes encontros ajudam a perceber que a vivência da fé não se faz isoladamente. Quem não consegue participar numa Jornada Mundial da Juventude pode viver a experiência numa Jornada Nacional; quem não consegue chegar à Jornada Nacional pode participar na sua própria Diocese. No fundo, resumiu o Bispo, “pertencemos a uma grande família” — e mais do que a dimensão do encontro, está em causa a possibilidade de cada jovem experimentar, de forma concreta, a sua pertença à grande comunidade da Igreja.
A Cruz Peregrina deve continuar a caminhar até 2029
Um dos momentos mais importantes da intervenção foi dedicado à Cruz da Peregrinação Nacional, que permanece agora sob responsabilidade de Luanda. Dom Belmiro recordou que a Cruz fora entregue pela Diocese de Benguela, devendo agora percorrer as comunidades até à próxima Jornada Nacional da Juventude, prevista para 2029, mantendo-se a periodicidade trienal do encontro — o local da próxima edição será anunciado posteriormente.
O Bispo deixou, porém, uma orientação bem concreta às estruturas pastorais de Luanda: que a Cruz nunca fique guardada a apanhar poeira num canto qualquer, mas que ande, sim, por todos os locais. Para Dom Belmiro, a Cruz Peregrina representa a identidade dos jovens com Cristo, e a sua passagem pelas comunidades deve recordar-lhes a responsabilidade de continuarem a ser testemunhas da missão cristã no mundo.
Gratidão a quem caminha com os jovens
A intervenção final transformou-se também num amplo agradecimento a todas as pessoas e estruturas que tornaram possível a Jornada. Dom Belmiro agradeceu a Dom José Manuel Imbamba, Presidente da CEAST, que presidiu à celebração de encerramento, e manifestou também gratidão a Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias, Arcebispo de Luanda, pela acolhida da Jornada na Arquidiocese, além dos restantes membros do Episcopado que acompanharam os jovens nas catequeses.
Uma palavra particularmente expressiva foi dirigida aos sacerdotes que trabalham com a juventude — ainda poucos, reconheceu o Bispo, mas verdadeiros “heróis” quando se levantam e se colocam em missão junto dos jovens. O agradecimento estendeu-se ainda às religiosas consagradas que integraram as delegações, animaram os jovens e viveram, lado a lado com eles, cada momento da Jornada.
Da Jornada para a missão
Dom Belmiro deixou claro que o encerramento da IV Jornada Nacional da Juventude não deveria significar o fim da experiência. Terminada a celebração, os jovens deveriam regressar às respectivas Dioceses “como missionários fortificados na sua fé” — e o Bispo encontrou logo uma forma muito prática de explicar essa missão: o primeiro testemunho deveria começar ali mesmo, recolhendo garrafas, papéis e outros resíduos, deixando o recinto limpo. Um gesto pequeno, mas com uma pedagogia bem familiar aos nossos escuteiros — a fé testemunha-se também na responsabilidade pelas pequenas coisas. Não basta participar, cantar e rezar: é preciso deixar o lugar melhor do que o encontrámos.
“Quando falarem da Igreja Católica, entre nós estarão a falar”
Outra recomendação foi dirigida à comunicação. Dom Belmiro agradeceu a quem ajudou a transmitir a Jornada pela televisão, rádio, redes sociais e pelos próprios telemóveis dos participantes, e lançou um desafio a todos os jovens: que ninguém regressasse sem levar consigo, também para o espaço digital, uma imagem da Jornada. Estados do WhatsApp, Facebook, Instagram e outras plataformas deveriam tornar-se, também eles, lugares de testemunho — porque, quando um jovem comunica aquilo que viveu na Igreja, deixa de ser apenas espectador da comunicação institucional, e torna-se ele próprio testemunha da Igreja a que pertence. Por isso, o convite de Dom Belmiro foi claro: viver com “orgulho, força, vontade, prazer e gosto de ser católico”.
Corações transformados
Já perto do final, Dom Belmiro retomou uma das mensagens deixadas por Dom José Manuel Imbamba na homilia — regressar com o coração transformado — e converteu-a numa experiência verdadeiramente festiva, entoando com toda a assembleia um refrão que pedia a Deus a transformação do “coração de pedra”. Um momento espontâneo que resumiu bem o espírito de toda a Jornada: oração e alegria, catequese e festa, silêncio e canto, encontro e missão.
Antes da despedida, houve ainda espaço para uma recomendação bem prática, pensada para as longas viagens de regresso às Dioceses: que os jovens exigissem prudência aos motoristas, recusando velocidades perigosas — porque, depois de dias de encontro, era preciso que todos chegassem vivos e bem às suas comunidades.
“Com Maria caminhamos na esperança”
A despedida terminou com uma frase repetida entre o Bispo e toda a multidão: “Com Maria caminhamos na esperança.” É também com esta mensagem que os nossos Escuteiros Católicos regressam aos seus Agrupamentos e Dioceses, depois desta IV Jornada Nacional da Juventude.
A participação numerosa da AECA, o envolvimento da Coordenação Nacional na organização, e o reconhecimento público feito no encerramento são motivo de grande alegria — mas também aumentam a nossa responsabilidade. Porque ser numeroso não basta. Ser representativo não basta. Para nós, Escuteiros Católicos, o verdadeiro fruto desta Jornada só se revelará quando aquilo que foi celebrado em Luanda chegar aos nossos Agrupamentos, às nossas Patrulhas, às nossas famílias, paróquias e comunidades.
A Jornada terminou. A missão, essa, regressa agora a casa com cada um dos nossos jovens.
Sempre alerta para servir!
Autoria: Alexandre Cose | Leão Manso



