
Os dirigentes escutistas devem renovar o compromisso com a promessa todos os dias, através da coerência entre o que dizem e o que fazem.
A orientação é do padre Armando Pinto Alberto, o Assistente Nacional (AN) da Associação dos Escuteiros Católicos de Angola (AECA), que falava no Sábado, 25, no Seminário Maior de Luanda, durante a formação sobre Comunicação Institucional promovida pela Coordenação Nacional dos Escuteiros Católicos de Angola (CNECA).
O sacerdote que abordou o tema “Ética e responsabilidade na gestão associativa, integrando missão e valores no escutismo católico”, defendeu a promessa como prática diária.
Para o padre Armando Alberto, a promessa escutista é um compromisso público e consciente de viver segundo determinados valores e se reflectem no que os identifica como escuteiros.
O sacerdote lembrou que a missão do escutismo é contribuir para a educação dos jovens através de um sistema de valores baseado na promessa e na lei escutista, ajudando-os a construir um mundo melhor.
“Por isso, a gestão associativa deve estar subordinada a esta missão educativa”, sublinhou.
Segundo o AN, o conhecimento ético constrói-se através da experiência.
“Os jovens aprendem assumindo responsabilidades, tomando decisões e avaliando consequências”.
O padre Armando apontou que a ética escutista assenta em 3 pilares: a lei escutista, a promessa escutista e a missão.
“A lei escutista não se baseia apenas num regulamento disciplinar. Representa um ideal de vida. Os seus artigos promovem honestidade, lealdade, serviço, respeito, responsabilidade e fraternidade”, explicou.
“Parecem coisas muito simples, mas podem facilitar a caminhada que nós estamos todos a construir. O escutismo em nós já vem de 100 anos, mas estamos a construir uma nova perspectiva. E isto vai exigir de todos nós um pouco mais de postura e atenção”, disse.
Durante a formação, o padre Armando distinguiu o papel do gestor e do dirigente escutista católico.
“Capacidade de organização, planeamento, gestão financeira, comunicação e liderança são requisitos para qualquer associação. O gestor preocupa-se sobretudo com a eficácia da organização. Já o dirigente escutista preocupa-se simultaneamente com a eficácia da organização e com a educação das pessoas através do ensino. A sua gestão deve ser exemplar”.
No escutismo a autoridade “não deriva do cargo de chefe A, chefe B, chefe C. mas, sobretudo, da credibilidade moral. O poder não deriva do cargo, mas da consciência moral. A liderança escutista é antes de mais uma liderança de serviço”.
O padre citou o fundador do escutismo Baden-Powell, para lembrar que “o verdadeiro modo de obter felicidade é proporcionar felicidade aos outros”, pois ninguém é feliz sozinho.
Disse também que a gestão associativa em contexto escutista ultrapassa a dimensão técnica e integra a dimensão educativa, ético-moral e a fé cristã católica.
“Teremos que ser muito empáticos para que a nossa acção, enquanto gestão, reflicta na vida daqueles a quem nos propomos orientar”, afirmou.
O padre Armando defendeu ainda a promoção de uma cultura de transparência, responsabilidade e serviço, e a reflexão sobre dilemas éticos frequentes na vida associativa.
O perfil do dirigente inclui coerência, respeito, discrição, espírito de serviço, prestação de contas, humildade, capacidade de ouvir e ser exemplo permanente.
“Nós trabalhamos com os jovens e quando há um dirigente íntegro há confiança. Se falharmos na integridade, também falhamos na responsabilidade. Está na base o serviço, pois o dirigente serve”.
O sacerdote alertou ainda para a responsabilidade financeira, patrimonial, humana e institucional na gestão do associativismo.
“Não podemos fazer do lenço um manancial de serviço. O serviço pelo serviço não é do escutismo. Se os escuteiros entenderem isso, saberão de onde viemos, onde estamos e para onde queremos ir, pois os valores do escutismo são universais”. Por Victória Ferreira



