
Artigo de opinião, por Alexandre Cose | Leão Manso
Escrevo este artigo com a convicção de quem acompanha, à distância, mas de coração inteiro, aquilo que a nossa Delegação está a viver no Rover Moot Mundial Dinamarca 2026. E escrevo-o também com um olhar posto mais à frente, em 2028. Isto porque para mim é impossível olhar para o que se está a passar no acampamento de Skørping sem pensar naquilo que isso significa para o nosso I Acampamento Nacional, em 2028, o maior desafio que decidimos enfrentar enquanto Associação.
Comecemos pelo óbvio, mas que nem por isso deixa de merecer ser dito com todas as letras: as dez pessoas do Rover Moot. Foi este o pequeno tamanho da nossa Delegação. Dez, entre Dirigentes e Caminheiros, preparados em tempo recorde, para uma missão que a AECA, como instituição, nunca antes tinha cumprido.
E, no entanto, o que estamos a ver a mais de 9.500 km de distância, no cenário do Rover na Dinamarca não é um grupo pequeno a passar despercebido num acampamento de centenas de jovens de dezenas de países. Muito pelo contrário, sentimos sinceramente que estamos a ser bem referenciados, reconhecidos, notados. E isto, para mim, fala muito mais alto do que o número de participantes que conseguimos enviar à Dinamarca. Estamos a ser avaliados do ponto de vista da nossa capacidade, da nossa resiliência, a firme vontade de realizar obras. Estamos, enfim, nós próprios a testar as nossas ambições «do ponto de vista daquilo que somos capazes de fazer, mesmo quando o tempo é curto e os recursos são limitados.

Tudo isso se deve à confiança que depositamos na nossa liderança
Gostaria aqui de sublinhar algo que considero essencial, e que por vezes se dá como garantido sem ser suficientemente dito: a confiança que temos na nossa liderança. Porque liderar não é apenas dar ordens ou ocupar um cargo. Liderar é apontar caminhos. É servir à frente, e não apenas de longe. É fazê-lo com confiança, com entusiasmo, com entrega e com vontade — e é precisamente isto que tem sido demonstrado pela liderança da Associação dos Escuteiros Católicos de Angola, também nesta viagem à Dinamarca. E temos, nesta caminhada, um grande aliado, que não podemos nunca esquecer nem relativizar: Deus, que nos mobiliza e nos sustenta neste sentido de missão.
O grande desafio: 2028
Chegamos, então, ao Acampamento Nacional de 2028, tão somente aquilo que considero o verdadeiro horizonte de tudo isto. O mega evento está a ser preparado com dois anos de antecedência — e ainda bem, porque um projecto desta envergadura não deve ser realizado à base de improviso.
Até ao cacimbo de 2028, temos pela frente tempo para pensar, com seriedade, nas métricas, nos marcos, nas obrigações, nas valências, nos momentos, no programa, nos critérios, nas quantidades, nos números, na logística, na segurança, na saúde, nos alojamentos, nos espaços e nos meios a utilizar em campo.
No fim de contas, vamos mobilizar 20 mil escuteiros, vindos de todos os cantos de Angola. É muita gente. É, verdadeiramente, muitíssima gente para a nossa primeira grande obra de massa.
Recordo aqui as palavras do próprio Chefe Gilberto Gil Lopes, nosso Coordenador Nacional, no momento em que lançou este projecto. Mais coisa, menos coisa, ele disse que estamos a preparar um acampamento que fique registado na memória de qualquer escuteiro que nele participar.
Estas não são palavras ditas ao vento. São palavras que carregam consigo uma tremenda responsabilidade. E os olhos de toda a Associação estão postos nele. Mas eu, pessoalmente, não tenho dúvidas: o Chefe Gilberto sabe como havemos de conseguir. E estaremos por perto, todos nós, para o ajudar a confirmar que tínhamos razão em confiar. Tudo vai correr bem.
E não será por acaso. É bem verdade que vai ser a nossa primeira grande experiência de massas, mas, também não somos despreparados. Trazemos a experiência de muitos anos de escutismo feito noutras freguesias desta imensa Angola. Temos, na realidade uma bagagem de experiência que se vai construindo.
E é aqui que a Dinamarca ganha um significado que vai muito além destes dias de acampamento. As experiências que estamos a viver agora — e todas as outras que ainda iremos recolher até 2028, os recentes aprendizados partilhados com os nossos irmãos do Ghana e da Nigéria, no quadro da formação realizada em Luanda pela WFIS – África — vão-se somando à experiência viva de cada escuteiro angolano: uns com mais anos de caminhada, outros com menos, outros ainda a meio do percurso. Cada escuteiro é, à sua maneira, um poço de experiência. E é essa soma, feita de muitas pequenas experiências individuais, que nos vai ajudar a fazer melhor no nosso Acampamento Nacional de 2028.
Não são só os miúdos — somos todos nós
Por fim, não queria fechar este artigo sem sublinhar algo que me parece fundamental, e que tem a ver com a própria natureza e carácter espiritual do nosso Movimento. Quando falamos do Escutismo Católico, e quando falamos deste grande desafio de 2028, não estamos a falar apenas dos Castores, dos Lobitos, dos Exploradores Juniores, dos Seniores ou dos Caminheiros. Não estamos a falar apenas dos Dirigentes. Estamos, na realidade, a falar de todos nós — incluindo os nossos Padres, os nossos Bispos, as nossas Madres, os nossos Assistentes. A participação destes é, para mim, tão importante quanto a de qualquer jovem de lenço ao peito, de mochila às costas, tenda mão e cartão SIGECA ao peito.
Porque o Escutismo Católico é, na verdade, uma das mais expressivas presenças em termos de orientação pastoral que a nossa Igreja tem hoje em Angola. E vai desafiar a própria Igreja — inclusivamente — a mobilizar-se, a acompanhar de perto, a estar presente, num grande acampamento que vai durar cerca de uma semana inteira. Não é pouca coisa. É, isso sim, uma oportunidade única de a Igreja, através do Escutismo, mostrar a sua capacidade de reunir, formar e acompanhar milhares de jovens angolanos, com fé, com alegria e com profundo sentido de missão.
É com esta convicção, e com esta esperança, que continuo a acompanhar, com orgulho, cada dia da nossa Delegação na Dinamarca — sabendo que cada passo dado ali é também um passo dado a caminho de 2028.
Sempre alerta para servir!
Alexandre Cose | Leão Manso



