
Confesso uma coisa: estou com uma inveja santa dos nossos caminheiros.
Enquanto eles percorrem trilhos na Dinamarca, eu percorro corredores. Eles caminham por florestas; eu caminho entre reuniões. Eles descobrem paisagens novas; eu descubro mais um e-mail para responder.
Hoje vi as fotografias da caminhada. O plano era fazer cerca de 20 quilómetros. Acabaram por fazer 35. Não porque se perderam… mas porque decidiram continuar. Porque lhes apeteceu ir mais longe.
E eu fiquei a pensar: há muito tempo que não faço uma caminhada só porque sim.
Outra fotografia chamou-me a atenção. Entre bosques e trilhos, a equipa identificou 51 espécies diferentes de plantas. Cinquenta e uma! Eu, se fosse lá, provavelmente dizia: “esta é verde… aquela também parece verde… e aquela outra também.”
Mas o que mais gostei foi saber que também houve momentos em que o mapa parecia dizer uma coisa e a bússola outra. Discutiram o caminho, voltaram atrás, escolheram outra direcção… e seguiram viagem. Faz parte. Também é assim que se aprende.
No fundo, é isso que me deixa feliz.
Ver os nossos caminheiros a viver aquilo que tantas vezes lhes ensinamos nas reuniões: confiar uns nos outros, resolver problemas em equipa, descobrir o mundo e descobrir-se a si próprios.
Claro que gostava de lá estar.
Muito.
Mas, desta vez, a missão era outra e fiquei por Angola.
Ainda assim, acompanho cada fotografia como quem também vai fazendo a caminhada, um bocadinho à distância.
E fica aqui uma promessa pública: da próxima vez, se a equipa decidir fazer mais 15 quilómetros do que estava previsto… eu também vou.
Ou, pelo menos, prometo não ficar à espera do elevador.
Sempre Alerta para Servir.
Alexandre Cose | Leão Manso



