
No contexto do encontro com Sua Santidade Papa Leão XIV, realizado na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Luanda, ao cair da tarde de Segunda-feira, 20 de Abril, também se fez ouvir a voz serena e comprometida de Padre Manuel Abel dos Santos, que, em representação do clero, ofereceu um testemunho marcado por profundidade espiritual e sentido missionário.
Num tom simples, mas carregado de significado, o sacerdote recordou que a Igreja, em todas as partes do mundo, “vive como povo que caminha no seguimento de Cristo, nosso irmão e Redentor”, sublinhando que é o próprio Senhor Ressuscitado quem ilumina o caminho e sustenta a missão dos seus discípulos. A sua intervenção ajudou a recentrar o olhar de todos no essencial da fé cristã: o seguir Jesus e a transformação da vida à luz do Evangelho.
Destacou que Cristo não é alguém a quem se procura por interesse, mas um Senhor que convida à liberdade e à entrega total. “Cristo chama-nos à liberdade. Não quer servos, nem clientes, mas irmãos e irmãs”, afirmou, convidando todos a examinarem a autenticidade da sua fé e das suas motivações.
O sacerdote da Diocese de Benguela sublinhou ainda que não basta conhecer Jesus de forma superficial, sendo necessário segui-Lo concretamente na vida diária, fazendo do amor, do serviço e da partilha o verdadeiro critério da existência cristã. “Não basta ouvir falar de Jesus, é preciso segui-Lo e imitar a sua iniciativa”, frisou, apontando para uma fé viva, comprometida e operante.

Num dos momentos mais marcantes do seu testemunho, evocou o sentido profundo da Eucaristia como “pão da vida”, que não apenas sacia a fome material, mas sustenta o homem para a vida eterna. Nesse horizonte, alertou para os perigos de uma fé reduzida ao interesse imediato ou a uma visão utilitarista de Deus, lembrando que o verdadeiro encontro com Cristo transforma o coração e gera missão.
A sua intervenção ganhou ainda maior força ao relacionar o Evangelho com a realidade concreta dos povos, denunciando as situações em que “o pão de todos se torna propriedade de poucos”, e reafirmando que Cristo continua a escutar o clamor dos que sofrem, renovando a esperança e levantando os que caem.
Por fim, deixou um apelo claro à Igreja em Angola: viver de forma sinodal, caminhando juntos na fé, na esperança e na caridade, e sendo testemunha viva do Evangelho no meio do mundo. “Com o Evangelho no coração, tereis coragem diante das dificuldades e desilusões”, afirmou, encorajando todos a perseverarem na missão.
Para os Escuteiros Católicos de Angola, este testemunho ressoa como um verdadeiro programa de vida: procurar Cristo com autenticidade, viver a fé com coerência e servir os irmãos com generosidade, tornando-se presença activa de esperança nas comunidades.
Alexandre Cose | Leão Manso



