
A formação promovida pela Associação dos Escuteiros Católicos de Angola — AECA, em Luanda, prosseguiu com um módulo ministrado pelo formador Asenokhe Lyijesu John, da World Federation of Independent Scouts — WFIS, dedicado ao tema “Organizando uma Tropa de Escoteiros na Paróquia: Passos e Dicas Essenciais”.
O formador apresentou uma exposição centrada na sua experiência pessoal de liderança e gestão escutista. Asenokhe Lyijesu John recordou que entrou no escutismo em 1978 e que, em 1987, tornou-se líder escutista. Ao longo do seu percurso, desempenhou várias responsabilidades, passando por funções de liderança de grupo, coordenação distrital e comissariado distrital. Com base nessa trajectória, partilhou orientações práticas sobre a organização e gestão de agrupamentos escutistas em paróquias, escolas e comunidades.
Durante a aula, o formador explicou que um agrupamento pode integrar diferentes secções, de acordo com as idades e etapas educativas dos membros, incluindo castores, lobitos, escuteiros e exploradores, conforme se classificam as secções de escutismo na Nigéria, o seu país natal. Como disse, cada secção possui características próprias, lemas, cores e métodos adequados ao desenvolvimento dos seus integrantes.
O formador destacou que, numa paróquia, escola ou instituição, as várias secções devem trabalhar de forma articulada. Os responsáveis por cada secção integram o chamado Conselho de Grupo, espaço onde são discutidos o planeamento, o orçamento, as actividades, as necessidades e as prioridades do agrupamento.
Um dos pontos centrais da sessão foi a importância do Comité de Grupo. Asenokhe Lyijesu John explicou que este comité pode integrar pais, encarregados de educação, representantes da escola ou da paróquia, benfeitores, antigos escuteiros e outras pessoas da comunidade capazes de apoiar o funcionamento do agrupamento.
Segundo o formador, o Comité de Grupo torna as actividades escutistas mais fáceis de realizar, quando é bem utilizado. Em actividades como acampamentos, viagens ou encontros, “os seus membros podem apoiar com alimentos, transporte, recursos financeiros, materiais, contactos e outros meios necessários”, disse.
A aula sublinhou que o envolvimento dos pais e benfeitores permite reduzir os custos das actividades e garantir a participação de jovens com menos recursos. Deste modo, o agrupamento torna-se mais inclusivo, impedindo que crianças e jovens sejam afastados das actividades por dificuldades financeiras.
Outro aspecto relevante foi a explicação sobre o Comité de Finanças. O formador apresentou esta estrutura como instrumento de apoio à mobilização de recursos, preparação de orçamentos, identificação de financiadores e sustentabilidade das actividades escutistas.
Asenokhe Lyijesu John chamou também a atenção para a necessidade de planeamento antecipado. Segundo explicou, pedidos de transporte, alimentação, material ou apoio financeiro não devem ser feitos à última hora. “Quando o agrupamento comunica as suas necessidades com antecedência, os apoiantes conseguem organizar-se melhor e responder com maior eficácia.
A sessão reforçou ainda que o escutismo deve ser vivido fora da sala de prelecção. O formador defendeu a importância dos “acampamentos, caminhadas, expedições, jogos, actividades de campo e experiências ao ar livre”, por serem meios fundamentais de formação, autonomia, disciplina e espírito de equipa.
Um dos exemplos mais marcantes apresentados durante o módulo foi a realização de actividades de serviço comunitário como forma de conquistar reconhecimento público. O formador partilhou a experiência de uma acção de limpeza realizada por escuteiros junto de estruturas governamentais em Lagos, que acabou por chamar a atenção das autoridades e gerar apoio institucional ao movimento.
Com este exemplo, mostrou que o escutismo conquista respeito quando serve primeiro. “A comunidade reconhece mais facilmente o valor do movimento quando vê os escuteiros a trabalhar com disciplina, humildade e espírito de serviço.”
Na parte final da aula, o formador abordou a importância da ética, da confiança e da boa imagem pública do líder escutista. Alertou que conflitos internos entre líderes não devem ser levados aos pais ou aos membros do comité, pois isso pode comprometer a imagem do agrupamento e enfraquecer a confiança da comunidade.
Asenokhe Lyijesu John explicou ainda que o líder escutista deve ser uma pessoa respeitada, transparente e confiável, especialmente na gestão de dinheiro, materiais e recursos destinados ao agrupamento.
Com este módulo, a formação da AECA reforçou que organizar uma tropa de escoteiros numa paróquia exige método, liderança, planeamento, responsabilidade financeira, envolvimento das famílias, serviço comunitário e espírito de missão.
A sessão deixou uma mensagem essencial: um agrupamento bem gerido forma melhor, serve melhor e conquista a confiança da comunidade.
Texto e imagem: Alexandre Cose | Leão Manso



