
TEXTO – Alexandre Cose | Leão Manso
IMAGENS -CNECA
A chegada a Angola dos três papamóveis que serão utilizados durante a visita apostólica de Sua Santidade o Papa Leão XIV marca uma etapa determinante na preparação deste momento histórico para a Igreja e para o país. Mais do que simples viaturas protocolares, estes veículos representam um instrumento essencial da missão pastoral do Santo Padre: estar próximo do povo.
De acordo com declarações de Dom Belmiro Cuica Chissengueti, porta-voz da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Coordenador Geral da Comissão criada para preparar a visita papal, os chamados “papamóveis” existem precisamente para permitir essa proximidade real e directa com os fiéis.
“O próprio nome indica a sua finalidade. São meios que permitem ao Papa estar junto das pessoas, sobretudo em contextos de grandes multidões, onde a deslocação a pé seria não só penosa, mas também limitada”, explicou. Segundo o prelado, estes veículos possibilitam ao Santo Padre “tocar, abençoar e sentir o povo”, concretizando a imagem evangélica de um pastor que “deve sentir o cheiro das suas ovelhas”.
DISTRIBUIÇÃO ESTRATÉGICA NO TERRITÓRIO NACIONAL

Os três papamóveis, todos de cor branca e adaptados para funções pastorais e protocolares, foram distribuídos de forma estratégica para cobrir os principais pontos da visita:
- Um modelo Isuzu será deslocado para Saurimo, onde permanecerá para acompanhar as actividades previstas naquela região;
- Um modelo Mercedes-Benz ficará em Luanda, sendo devendo ser utilizado na cerimónia oficial de boas-vindas, no percurso até à Cidade Alta e na grande celebração eucarística no Kilamba;
- Um terceiro veículo, de menor dimensão, será utilizado no Santuário da Muxima, tendo em conta as especificidades do pavimento local, recentemente requalificado.
A escolha desta última viatura visa garantir o equilíbrio entre a proximidade do Papa aos fiéis e a preservação das infra-estruturas do santuário, um dos maiores centros de devoção mariana da África Subsaariana.
Preparativos na fase final
Segundo Dom Belmiro, os preparativos entram agora na fase dos “retoques finais”, com as infra-estruturas praticamente concluídas nos três principais palcos da visita — Kilamba, Muxima e Saurimo.
O bispo, amplamente reconhecido como um dos mais jovens prelados do episcopado angolano, sublinhou ainda que a vinda do Papa ocorre num momento particularmente sensível para o país, marcado por uma onda de solidariedade nacional face às recentes calamidades naturais, especialmente na província de Benguela, o que confere à visita um significado ainda mais profundo de esperança, consolo e unidade.
Escuteiros católicos mobilizados em força

Neste grande esforço nacional e eclesial, destaca-se também o papel dos Escuteiros Católicos de Angola, que se encontram mobilizados em número superior a 11.000 efectivos em todo o país, assegurando apoio logístico, organização de multidões, assistência aos fiéis e colaboração com as autoridades.
Importa recordar que Dom Belmiro Cuica Chissengueti é igualmente Assistente Nacional dos Escuteiros Católicos de Angola, na sua qualidade de Presidente da Comissão Episcopal da Juventude, Pastoral Universitária, Vocações e Escutismo, o que reforça a ligação directa entre o movimento escutista e a missão da Igreja neste acontecimento histórico. A poucos dias da chegada do Santo Padre, Angola prepara-se, assim, para viver um dos momentos mais marcantes da sua história recente, onde fé, organização e espírito de serviço se unem para acolher o sucessor de Pedro com dignidade, alegria e esperança.



