
TEXTO – Alexandre Cose | Leão Manso
A 2 dias da visita apostólica de Sua Santidade o Papa Leão XIV a Angola, marcada para o período de 18 a 21 de Abril, a Associação dos Escuteiros Católicos de Angola (AECA) prepara um dos maiores dispositivos de voluntariado juvenil já mobilizados no país. Em entrevista à Rádio França Internacional (RFI), o Coordenador Nacional da AECA, Gilberto Gil Lopes, revelou os detalhes da operação que vai colocar pelo menos 11.414 escuteiros ao serviço da Igreja e da Nação angolana.
Segundo o responsável, os escuteiros estarão organizados numa estrutura altamente funcional e escalonada, divididos em 4 grandes grupos territoriais — Luanda, Kilamba, Muxima e Saurimo — e posteriormente repartidos em unidades menores de 2.000, 200 e 25 elementos. No dizer do Chefe Gilberto, como é chamado nas hostes do escutismo angolano, isto vai permitir uma actuação coordenada, disciplinada e eficaz em todos os pontos da visita papal.
No terreno, o papel dos escuteiros será multifacetado e decisivo. Entre as principais responsabilidades destacam-se a organização de cordões humanos ao longo dos percursos do Santo Padre, para garantir a segurança dos fiéis e do papamóvel, isto para além do acolhimento e orientações aos peregrinos, o apoio logístico nos espaços de celebração, a assistência básica a doentes e pessoas em situação de vulnerabilidade, bem como o acompanhamento de fluxos de transporte e alojamento.
“Vamos assegurar o cordão humano onde não haverá grades, garantindo que o povo não invada a via. É uma questão de segurança para todos. Mas também vamos acolher, orientar, apoiar com água, colaborar com equipas de emergência e funcionar como guias nos espaços”, explicou o dirigente.
PREPARAÇÃO RIGOROSA E EXPERIÊNCIA ACUMULADA

A preparação dos escuteiros incluiu um conjunto de 5 encontros formativos — 2 em formato online e 3 presenciais — além de simulacros e sessões de indução sobre comportamento, gestão de risco, protocolos de segurança e enquadramento eclesial do evento.
De acordo com Gilberto Gil Lopes, embora Angola já tenha acolhido anteriormente dois Papas, cada visita representa um novo desafio. Ainda assim, muitos dos actuais dirigentes e voluntários participaram na organização da visita do Papa Bento XVI, entre 20 e 23 de Março de 2009, o que reforça a experiência acumulada no movimento.
“O trabalho começou logo após a confirmação oficial da visita. Não é a primeira vez, mas é sempre diferente. Temos jovens novos, mas também temos experiência. E isso dá-nos confiança”, sublinhou.
COORDENAÇÃO INSTITUCIONAL E CONFIANÇA NO COMPORTAMENTO DO POVO
A operação conta com estreita articulação com as autoridades nacionais, incluindo a Polícia Nacional, com quem foram realizadas diversas reuniões técnicas para definição de percursos, zonas críticas, níveis de actuação e limites de responsabilidade.
O Coordenador Nacional da AECA manifestou confiança no comportamento do povo angolano, destacando a sua disciplina e respeito perante figuras religiosas.
“A alegria vai existir, mas com respeito. Já vivemos isso com o Papa Bento XVI. As pessoas querem ver, acenar, aproximar-se, mas sem romper a ordem. O nosso povo tem esse sentido”, afirmou.
Juventude, fé e realidade social
Questionado sobre a relação da Igreja com a juventude, Gilberto Gil Lopes sublinhou que a Igreja mantém uma doutrina clara e estruturante, sendo chamada a acompanhar o crescimento dos jovens com responsabilidade e firmeza.
Sobre o contexto social do país, reconheceu os desafios ligados à pobreza e à desigualdade, sublinhando que a visita do Papa ocorre num momento em que Angola vive também realidades difíceis, mas que não devem ser ocultadas.
“Esta é a nossa realidade. Temos dificuldades, mas temos fé. Esperamos que o Papa também possa lançar um apelo e que todos nós, enquanto sociedade, possamos melhorar”, disse.
Convite à participação e orientações práticas
O responsável lançou um apelo abrangente à participação de todos os angolanos, católicos e não católicos, convidando-os a viver este momento com espírito de fé, unidade e alegria.
“Venham todos. Ao Kilamba, à Muxima, a Saurimo, às ruas. Venham com bandeiras, com palavras de boas-vindas, com fé no coração”, apelou.
Entre as recomendações práticas deixadas aos peregrinos, destacam-se:
- chegada antecipada aos locais (com abertura no Kilamba a partir das 3h00 da manhã dxe Domingo, dia 19 de Abril);
- uso de protecção solar;
- hidratação constante;
- transporte de alimentos leves e acessórios como chapéus ou guarda-chuvas;
- espírito de convivência e disciplina.
ACAPAPA: UM ACAMPAMENTO DE FÉ E ESPERANÇA

Um dos elementos simbólicos desta mobilização é o chamado “Acapapa”, expressão usada pelos escuteiros para designar os acampamentos organizados no âmbito da visita. Para muitos jovens, trata-se de um momento único de encontro com o sucessor de Pedro, carregado de emoção e significado espiritual.
“Os escuteiros querem ver, acenar, guardar uma memória. Para nós, é também uma renovação da fé, um reencontro com a nossa Igreja”, destacou.
A participação de mais de 11.000 escuteiros católicos nesta missão confirma o papel estruturante do movimento na vida da Igreja em Angola, assumindo-se como uma força organizada de serviço, disciplina e solidariedade ao serviço do bem comum.
Num momento que mobiliza todo o país, os escuteiros posicionam-se, uma vez mais, na linha da frente — discretos, firmes e sempre disponíveis — para garantir que esta visita histórica decorra com ordem, segurança e espírito de fraternidade.
⚜️ Sempre Alerta para Servir



