
TEXTO – Alexandre Cose | Leão Manso
Num encontro marcado pela proximidade, pela verdade e por uma linguagem que toca o coração, o Papa Leão XIV dirigiu-se às autoridades, à sociedade civil e a todo o povo angolano com uma mensagem profunda — simples nas palavras, mas exigente no compromisso.
Desde o início, o Santo Padre deixou claro o sentido da sua presença entre nós:
“Venho até vós como peregrino que procura os sinais da passagem de Deus por esta terra que Ele ama.”
Para nós, escuteiros, esta imagem do “peregrino” diz muito. É o mesmo espírito de quem caminha, observa, aprende e serve.
Logo nas primeiras palavras, o Papa mostrou um coração atento e solidário, lembrando as vítimas das chuvas em Benguela:
“Gostaria de assegurar a minha oração pelas vítimas… e expressar a minha proximidade com as famílias que perderam as suas casas.”
Este gesto recorda-nos que servir começa sempre por ver o outro, sentir com ele e agir.
Mas talvez uma das mensagens mais fortes tenha sido sobre algo que nós, como povo — e como escuteiros — conhecemos bem: a alegria.
O Papa reconheceu que Angola guarda um tesouro especial:
“Possuís uma alegria que nem mesmo as circunstâncias mais adversas conseguiram extinguir.”
Não é uma alegria fácil. É uma alegria que conhece a dor, o sacrifício, as dificuldades… mas que resiste. É a alegria de quem continua firme — sempre alerta para servir.
Ao mesmo tempo, deixou um alerta sério sobre o mundo actual:
“É necessário quebrar esta cadeia de interesses que reduz a vida a uma mera mercadoria.”
Aqui está um desafio claro: não viver apenas para ganhar, acumular ou aparecer, mas para servir, construir e elevar.
O Papa olhou com esperança para África e, sobretudo, para os jovens:
“Os jovens ainda sonham, ainda esperam… desejam reerguer-se e assumir responsabilidades.”
Este é um recado directo para cada caminheiro, cada sénior, cada dirigente: não fomos feitos para ficar parados. Fomos feitos para assumir missão.
E reforçou que a verdadeira transformação não vem apenas de sistemas ou políticas:
“O desejo de infinito que habita o coração humano é mais profundo do que qualquer programa político.”
Ou seja: a mudança começa dentro de cada um de nós.
Outro ponto central foi o valor do diálogo e da convivência. Num mundo marcado por conflitos, o Papa ensinou:
“Somente no encontro a vida floresce. No princípio está o diálogo.”
E foi ainda mais longe ao explicar como lidar com conflitos:
“É preciso aceitá-los, resolvê-los e transformá-los em caminho de renovação.”
Quantas vezes, no nosso dia-a-dia escutista, isso faz sentido? Na patrulha, no agrupamento, na vida… o conflito não é o fim — pode ser início de crescimento.
Com firmeza, deixou também um apelo aos que têm responsabilidade:
“Colocai o bem comum acima das partes.”
Mas este apelo serve para todos. Porque cada escuteiro, no seu pequeno espaço, também lidera pelo exemplo.
Um dos momentos mais fortes da mensagem foi sobre a alegria como força transformadora:
“Sem alegria, não há renovação. Sem encontro, não há justiça.”
E mais:
“A alegria é o que impulsiona a vida e abre caminho para a convivência.”
Num tempo em que muitos jovens enfrentam desânimo, o Papa alertou:
“Semear o desânimo é uma forma de dominar as pessoas.”
Por isso, ser escuteiro hoje é também resistir ao desânimo — com esperança activa.
A mensagem final foi clara e mobilizadora:
“Juntos, podeis fazer de Angola um projecto de esperança.”
E aqui está o ponto onde tudo converge com o escutismo: juntos.
Juntos na fé.
Juntos no serviço.
Juntos na construção de um país melhor.
O Papa terminou apontando para a raiz de tudo:
“Jesus Cristo é a plenitude do homem e da história… Que Deus abençoe Angola.”
Para os escuteiros católicos de Angola, esta mensagem não é apenas para ouvir — é para viver.
No campo, na cidade, na Muxima, no Kilamba ou em qualquer comunidade… o desafio está lançado:
Ser alegria que resiste.
Ser ponte onde há divisão.
Ser serviço onde há necessidade.
Ser esperança onde há cansaço.
Porque, no fim, é isso que significa ser escuteiro:
Sempre Alerta para Servir — também na construção de um país mais justo, mais fraterno e mais cheio de Deus.







