
No encontro realizado na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Luanda, no fim da tarde de Segunda-feira, 20 de Abril, no âmbito da última actividade de Sua Santidade Papa Leão XIV em Angola, fez-se ouvir o testemunho firme e comovente de Manuel de Almeida, que, em representação dos catequistas, deu voz a uma das mais silenciosas e essenciais forças da Igreja angolana.
Com palavras simples, Manuel de Almeida apresentou o percurso de vida de quem fez da evangelização uma missão total. Com mais de três décadas ao serviço da Igreja, recordou as dificuldades enfrentadas ao longo do caminho: longas distâncias percorridas a pé, ausência de meios, desafios familiares, contextos de insegurança e até perseguições. Ainda assim, nunca deixou de cumprir o seu dever de anunciar o Evangelho.
“Grande foi o sacrifício que tive de enfrentar para concretizar os objectivos”, afirmou, revelando a dimensão concreta da missão catequética em muitas regiões do país. A sua história é a história de tantos catequistas que, mesmo sem reconhecimento material, continuam a ser presença constante nas comunidades, sobretudo onde o sacerdote não pode chegar.
No seu testemunho, destacou que o catequista é, na prática, “um evangelizador a tempo inteiro”, responsável por animar comunidades, fortalecer a fé dos fiéis e manter viva a ligação entre o povo, o sacerdote e o bispo. Referiu ainda que, na Diocese de Uíge, existem centenas de catequistas que, com espírito de entrega, sustentam a vida pastoral em condições muitas vezes adversas.
Ao expor os desafios actuais, apontou a falta de mais agentes pastorais, as dificuldades de acesso às comunidades, a escassez de meios de transporte, as carências materiais e o crescimento de fenómenos como a superstição e a proliferação de seitas religiosas. Ainda assim, reafirmou com convicção a sua identidade: “Sou definitivamente um comando da evangelização.”
A expressão, herdada da tradição da Igreja em Angola, traduz com força o papel dos catequistas como verdadeiros pilares da missão, homens e mulheres que, com fé e coragem, continuam a anunciar Cristo nas periferias, nas aldeias e nos lugares mais esquecidos.
O testemunho de Manuel de Almeida foi também marcado por gratidão: à Igreja, aos seus pastores e à oportunidade de, em nome de tantos outros, partilhar uma vida inteira dedicada ao serviço do Evangelho. Um testemunho que emocionou e, ao mesmo tempo, desafiou todos os presentes a uma maior valorização desta vocação essencial.
Para os Escuteiros Católicos de Angola, esta palavra ressoa como um apelo claro: servir com humildade, perseverar nas dificuldades e assumir a missão com coragem, mesmo quando o caminho é exigente. Tal como os catequistas, também o escuteiro é chamado a ser presença activa nas comunidades, levando luz, esperança e fé onde for necessário.
Alexandre Cose | Leão Manso



