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CHEFE PAULO VÁLIDO: O AMIGO QUE NOS ABRIU AS PRIMEIRAS PORTAS

Delegação King Mandume visita, em Portugal, o Chefe Paulo Válido, um dos dirigentes que acompanharam os primeiros passos da aproximação internacional da AECA

Texto – Alexandre Cose | Leão Manso

Quando a equipa King Madume foi ver o chefe  Paulo Válido, no Seixal, Portugal, lembrámo-nos de que na vida, certos encontros começam muito antes do primeiro aperto de mão.

Depois da participação no Rover Moot da Dinamarca,os liderados do Chefe Cláudio dos Santos foram ter ao Agrupamento de Fernão Ferro, para visitar o Chefe Paulo Válido.
Os King Mandume foram visitar um homem que, de alguma maneira, já fazia parte da história recente da Associação dos Escuteiros Católicos de Angola.

Para alguns dos jovens da equipa, aquela foi a primeira vez que o viam. No entanto, para a AECA, Paulo Válido é um velho amigo.

Quem nos conta a história da nossa relação com este dirigente escutista de mão cheia é o Chefe Cláudio. E para perceber a importância deste encontro é preciso recuar aos primeiros tempos da caminhada internacional da AECA.

Quando

Quando ainda procurávamos o caminho,  começamos a avaliar um novo enquadramento internacional para a nossa caminhada escutista. Havia muitas perguntas na nossa cabeça e conhecíamos poucos caminhos.

A questão era saber como iniciar o processo? Com quem falar? Que procedimentos seguir? Quem poderia explicar a organização, a história, as estruturas regionais e os passos necessários para estabelecermos contactos?

Foi nesse momento que nos apareceu o Chefe Paulo Válido. O dirigente experiente e há vários anos ligado ao Agrupamento de Fernão Ferro, no Seixal, tornou-se assim, segundo nos recorda o Chefe Cláudio, um dos primeiros interlocutores da AECA neste processo de aproximação internacional.

Ele predispôs-se a ajudar-nos. Não se limitou a responder a uma mensagem. Explicou-nos, orientou-nos, partilhou experiências, contou a história da organização, apresentou procedimentos, estabeleceu pontes.

E, sobretudo, abriu a sua rede de contactos para que os dirigentes angolanos pudessem começar a falar directamente com responsáveis de diferentes níveis da estrutura internacional.

«Foi o primeiro Chefe com quem tivemos contacto quando saímos da AEA e pretendíamos filiar-nos numa outra organização internacional», recorda o Chefe Cláudio na voz ouvida pelo WhatsApp, desde Lisboa.

A partir daquele primeiro contacto, diz, começaram a surgir outros.

O Chefe Paulo apresentou responsáveis em Portugal e facilitou a aproximação a dirigentes da Região África. Foi também através dele, segundo o testemunho do Chefe Cláudio, que se estabeleceram contactos com outros responsáveis internacionais que, mais tarde, fariam parte do percurso de aproximação da AECA.

Alguns desses nomes deixariam de ser apenas contactos guardados num telefone e passariam a conhecer Angola, a acompanhar a caminhada da nossa Associação.

E alguns acabariam mesmo por estar presencialmente em Luanda. É assim que, muitas vezes, as grandes relações institucionais começam: com uma pessoa que decide responder à primeira mensagem.

UM CHEFE QUE CONTINUOU DO OUTRO LADO DA LINHA

Há outro pormenor importante nesta história. O Chefe Paulo Válido não desapareceu depois de fazer as apresentações. Muito pelo contrário, ele continuou presente, sempre a aconselhar, a incentivar e a perguntar como decorria o processo.

E sempre que dirigentes da AECA passam por Portugal, há disponibilidade para um encontro, uma conversa e uma actualização sobre o caminho que cada lado está a fazer.

O Chefe Cláudio descreve-o como um dirigente particularmente prestativo e cooperante, enfim, um amigo.

Na realidade, como conta o Chefe Cláudio, na seu testemunho, essa disponibilidade acabou por transformar um contacto inicialmente institucional numa relação de amizade escutista.

Paulo tem igualmente manifestado interesse em conhecer Angola e experimentar pessoalmente aquilo que, até agora, conhece sobretudo através dos relatos: a dimensão da Associação, os seus jovens, os agrupamentos e, particularmente, o calor humano do Escutismo Católico angolano.

Talvez essa oportunidade venha a surgir.

A experiência acumulada ao longo de muitos anos de liderança escutista faz do Chefe paulo também um potencial parceiro para futuras iniciativas de formação e intercâmbio.

Entre as possibilidades já imaginadas está uma eventual presença em Angola por ocasião de uma grande actividade nacional, onde a sua experiência poderia ser partilhada directamente com dirigentes e jovens angolanos.

Mas, desta vez, era a King Mandume que estava em sua casa.

FERNÃO FERRO ABRIU AS PORTAS

Durante a visita, o Chefe Paulo apresentou aos jovens angolanos a sede do Agrupamento de Fernão Ferro.

E havia novidades. As instalações encontram-se num processo de reabilitação que inclui a preparação de um espaço de acolhimento para escuteiros em trânsito — uma verdadeira casa de passagem escutista.

Segundo a explicação recebida durante a visita, o espaço dispõe já de capacidade para acolher cerca de 11 escuteiros.

A descoberta provocou até uma brincadeira inevitável entre os visitantes. Se tivessem sabido antes, talvez a passagem da delegação da Dinamarca para Portugal pudesse ter incluído algumas noites precisamente ali, vivendo mais de perto o quotidiano do Agrupamento e prolongando a fraternidade escutista para além de uma simples visita.

Fica a possibilidade para uma próxima vez.

E fica, sobretudo, uma ideia particularmente bonita do Escutismo: uma sede que não serve apenas aqueles que nela se reúnem, mas que se prepara também para acolher quem chega de longe.

QUANDO AS EXPERIÊNCIAS SE ENCONTRAM

A visita permitiu ainda conhecer algumas actividades recentemente desenvolvidas pelo Agrupamento de Fernão Ferro. Entre elas, uma exposição realizada no Seixal, na qual foram apresentados uniformes, trabalhos artísticos e outras produções desenvolvidas pelos escuteiros.

Para os membros da King Mandume, alguns desses trabalhos despertaram uma associação imediata com aquilo que tinham acabado de viver na Dinamarca.

Durante o Rover Moot, os jovens participaram em oficinas e experiências de trabalho manual e artístico. Em Fernão Ferro encontraram outras expressões desse mesmo princípio educativo: aprender fazendo, transformar as mãos em instrumentos de criatividade e deixar que cada actividade produza algo que possa ser partilhado com a comunidade.

Mudam os países. Mudam os materiais. Mudam as técnicas. Mas permanece uma das intuições mais bonitas do método escutista: o jovem aprende melhor quando experimenta, constrói e participa.

FINALMENTE, OS JOVENS CONHECERAM O HOMEM POR DETRÁS DO NOME

Talvez esta tenha sido, porém, a dimensão mais especial do encontro.

Durante muito tempo, Paulo Válido foi sobretudo um nome conhecido pelos dirigentes que conduziram os primeiros contactos internacionais da AECA.

Os jovens não tinham vivido essa história, quando ainda se procurávamos  perceber que portas bater. Não tinham sabido que caminhos seguir, tão pouco participado nas primeiras conversas. Não tinham assistido às apresentações, nem acompanhado as mensagens trocadas. É assim que nesta passagem por Portugal, uma parte da King Mandume pôde finalmente colocar um rosto nessa história.

O Chefe Cláudio apresentou os jovens ao Chefe Paulo. E apresentou Paulo aos jovens. Conversaram, conheceram a sede, ouviram histórias, viram trabalhos e fizeram fotografias.

Descobriram que, sempre que regressarem a Portugal, existe no Seixal um lugar onde poderão encontrar um amigo do Escutismo Católico angolano. Não é pouca coisa.

O Escutismo constrói-se através de regulamentos, estruturas, programas, métodos e organizações.

Mas constrói-se também — e talvez sobretudo — através de relações humanas. Alguém conhece alguém. Alguém apresenta alguém. Alguém abre uma porta.

Alguém oferece alojamento. Alguém responde a uma dúvida. Alguém encontra tempo para receber quem chegou de longe.

E, quando damos por nós, aquilo que começou com uma conversa transformou-se numa ponte entre escuteiros separados por milhares de quilómetros.

UM GRANDE AMIGO EM PORTUGAL

É por isso que esta visita merece ficar registada. Não apenas porque produziu boas fotografias. Não apenas porque a King Mandume passou pelo Seixal.

Mas porque permite aos nossos jovens conhecerem uma pequena parte da história que antecedeu a experiência internacional que hoje eles próprios começam a viver.

Afinal é preciso não esquecer que antes de alguns deles viajarem para a Dinamarca, houve dirigentes que procuraram caminho, houve contactos feitos à distância, determinadas portas se abriram, mas para isso alguém ajudou a encontrá-las. E uma dessas pessoas foi precisamente o Chefe Paulo Válido.

Hoje, os jovens que estiveram com ele já conhecem o caminho. Sabem onde fica Fernão Ferro e sabem também que existe ali uma sede em transformação.

Sabem que está a nascer uma casa capaz de acolher escuteiros de passagem. E sabem, sobretudo, que há naquele lugar um Chefe que acompanhou parte dos primeiros passos desta caminhada da nossa AECA e que continua disponível para ajudar.

É uma das riquezas silenciosas do Escutismo. Podemos regressar muitas vezes aos mesmos lugares. Mas, quando criamos verdadeiras relações, já não regressamos apenas a lugares, mas, a  pessoas.

A King Mandume encontrou, no Seixal, uma dessas pessoas. O seu nome é Paulo Válido.

E, para nós, já não é apenas um contacto em Portugal. É um amigo da AECA.

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