
No encontro realizado na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Luanda, ao cair da tarde de segunda-feira, 20 de Abril, no âmbito da última actividade de Sua Santidade Papa Leão XIV em Angola, destacou-se a intervenção de Irmã Margarida Adelaide, que falou em nome da vida consagrada no país, levando ao Santo Padre a expressão viva da missão, dos desafios e da esperança dos consagrados e consagradas.
Num discurso claro, sereno e profundamente enraizado na realidade eclesial angolana, a religiosa apresentou a vitalidade da Conferência dos Institutos Religiosos de Angola (CIRA), sublinhando a sua presença activa em todas as dioceses e o seu compromisso com a evangelização, a formação humana e espiritual, bem como a promoção da dignidade da pessoa humana.
“Estamos inseridos nos vários sectores da vida humana, partilhando as alegrias e as tristezas do nosso povo”, afirmou, evidenciando uma Igreja próxima, encarnada na realidade concreta das comunidades, sobretudo junto dos mais vulneráveis. A sua intervenção trouxe à luz o papel essencial dos consagrados nas áreas da educação, saúde, assistência social e formação das novas gerações.
Ao mesmo tempo, a Irmã Margarida Adelaide não deixou de apresentar, com lucidez e sentido de responsabilidade, alguns dos principais desafios enfrentados pela vida consagrada em Angola. Referiu, entre outros aspectos, a necessidade de um maior enraizamento do Evangelho na cultura, os riscos do activismo pastoral que pode enfraquecer a vida espiritual, bem como as dificuldades ligadas à sustentabilidade das obras e à formação contínua.

Ainda assim, reafirmou com esperança o compromisso dos consagrados: “Queremos viver com alegria a nossa consagração, ser verdadeiramente luz do mundo e sal da terra”, sublinhando que a missão permanece viva e necessária, especialmente num país onde a maioria da população é jovem e procura sentido, orientação e testemunho.
A intervenção ganhou especial densidade ao destacar o empenho da vida consagrada na promoção da paz, da reconciliação e da justiça social, bem como na defesa dos direitos humanos e no combate a realidades como o tráfico de pessoas. Neste caminho, reforçou a importância da sinodalidade e da comunhão com a Igreja universal e local.
Dirigindo-se directamente ao Santo Padre, a religiosa formulou uma interrogação que ecoa no coração da Igreja angolana: que orientações oferecer à vida consagrada para responder, com fidelidade e criatividade, aos desafios de uma sociedade jovem, dinâmica e em transformação?
O momento terminou com um pedido humilde e confiante: a bênção do Papa para Angola, para a Igreja e para todos os consagrados, reconhecendo que esta visita representa “um momento de graça e de renovação” para a missão.
Para os Escuteiros Católicos de Angola, esta intervenção constitui um verdadeiro testemunho de entrega e serviço: uma chamada a viver a fé com profundidade, a servir com generosidade e a assumir, com responsabilidade, o compromisso de transformar o mundo a partir do Evangelho.
Alexandre Cose | Leão Manso



