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ESCUTEIRO DO NAMIBE OFERECE RETRATO DO PAPA LEÃO XIV COMO SINAL DE FÉ, TALENTO E MISSÃO

TEXTO – Alexandre Cose | Leão Manso

FOTO – AECA

No meio da alegria vivida nos dias da visita de Sua Santidade o Papa Leão XIV a Angola, há gestos que ficam gravados não apenas na memória, mas no coração do escutismo. Um desses momentos foi justamente protagonizado por Alfredo Calinamba, escuteiro proveniente da província do Namibe, município do Tombwa, que decidiu expressar a sua fé e criatividade através de uma obra artística oferecida ao Santo Padre.

Com simplicidade e orgulho, Alfredo explicou o sentido do seu gesto: “Na verdade, eu vim aqui em homenagem, ou seja, em representação dos escuteiros católicos. Fiz um retrato do Papa como oferta em nome dos escuteiros católicos de Angola.” Mais do que um quadro, tratava-se de um símbolo — uma mensagem silenciosa de amor à Igreja e de comunhão com o sucessor de Pedro.

A obra, de grande dimensão (140 x 92 centímetros), apresenta o rosto do Papa trabalhado com técnica realista, enriquecido por elementos simbólicos. “Pintei um retrato do Papa com algumas figuras geométricas. O fundo contém símbolos da Igreja, o símbolo papal e também elementos ligados aos escuteiros católicos de Angola”, explicou o jovem artista, revelando a profundidade da composição.

O trabalho exigiu dedicação e superação. “Foram três semanas. Foi um pouquinho desafiador, mas em tempo recorde consegui fazer. Normalmente levo um mês”, contou, deixando claro que o talento caminha sempre ao lado do esforço. Com 15 anos de experiência na pintura — iniciada ainda na infância — Alfredo reconhece que o seu percurso foi construído com muito trabalho: “Houve muito trabalho para chegar a esse nível.”

Escuteiro há 14 anos no Agrupamento 105, da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, no Tombwa, Alfredo encontrou no escutismo uma escola de vida e missão. A ideia do retrato nasceu do seu próprio impulso interior, mas foi acolhida com confiança pelo seu agrupamento: “Foi minha ideia. Falei com o chefe e ele só disse: ‘Avança’.”

O quadro percorreu mais de 900 quilómetros, até Luanda, numa verdadeira peregrinação artística e escutista. “Deu um pouco de trabalho trazer de Moçâmedes até aqui, mas conseguimos. É também o nosso espírito missionário”, afirmou, com o brilho de quem sabe que servir também é criar, oferecer e ir mais longe.

Para Alfredo, este momento foi mais do que especial: “É uma satisfação enorme, como católico e como artista, estar aqui e presentear esta obra ao Santo Padre.” Uma experiência que une fé, arte e identidade escutista, mostrando que cada talento pode ser colocado ao serviço de algo maior.

Para além da pintura, o jovem escuteiro dedica-se também à formação de outros. Criou um espaço artístico no Tombwa, onde ensina gratuitamente crianças da comunidade, promovendo inclusão e desenvolvimento através da arte. “O mundo não se faz só com engenheiros ou professores, também artistas fazem parte da sociedade”, sublinhou, com consciência do seu papel social.

O gesto de Alfredo Kalinamba representa, de forma muito concreta, aquilo que o escutismo católico angolano é chamado a ser: criativo, comprometido, missionário e profundamente enraizado na fé. Um testemunho vivo de que, quando o coração está disponível, cada dom se transforma em serviço.

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