
TEXTO – Alexandre Cose
FOTO – AECA
O Santuário de Nossa Senhora da Conceição da Muxima voltou a ser, neste Domingo, o verdadeiro coração espiritual de Angola. Depois da recitação do Santo Terço com milhares de fiéis, Sua Santidade o Papa Leão XIV dirigiu uma palavra simples, profunda e muito directa — especialmente para os jovens, para os movimentos e para todos os que ali estavam com o coração aberto.
E quem esteve lá sentiu: não foi apenas um discurso. Foi um envio.
O Papa começou por recordar que o Terço é uma oração antiga, mas sempre viva, capaz de manter acesa a fé do povo. Olhando para a multidão reunida, disse ver ali uma Igreja cheia de vida, marcada por “o frescor da fé e a força do Espírito”. E isso, para quem vive o escutismo, diz muito: fé viva não é teoria — é presença, é participação, é serviço.
Falando da Muxima, o Santo Padre tocou num ponto que todos conhecem bem. Disse que ali, há séculos, o povo reza tanto nas alegrias como nas dores. E explicou de forma muito bonita que Nossa Senhora da Muxima mantém “vivo e pulsante o coração da Igreja”.
Muxima é coração.
E o Papa percebeu isso.
Chamou-lhe “Mãe do Coração” e explicou que o coração de Maria é um coração limpo, atento, capaz de guardar tudo e cuidar de todos. E depois fez um convite claro: quem reza o Terço não pode ficar parado. Tem de viver como Maria viveu.
E aqui entra a missão.
O Papa disse que rezar o Terço “compromete-nos a amar cada pessoa com coração maternal”. Ou seja: não basta rezar — é preciso agir. Amar concretamente. Ajudar. Servir. Estar disponível.
E concretizou muito bem esse amor:
Que ninguém fique sem comida.
Que os doentes sejam cuidados.
Que as crianças tenham educação.
Que os idosos vivam com dignidade.
Isto é Evangelho vivido.
Isto é também escutismo.
Depois, dirigiu-se de forma especial aos jovens. E aqui a mensagem foi forte:
“Também a vós, jovens, a Mãe do Céu confia um grande projecto: construir um mundo melhor.”
Não é um sonho vazio.
É responsabilidade.
Um mundo sem guerra.
Sem injustiça.
Sem miséria.
Sem corrupção.

Um mundo onde o amor vence.
E o Papa foi directo:
“É o amor que deve triunfar, não a guerra.”
Para os escuteiros que estavam ali — e foram muitos, em serviço, atentos, firmes — esta mensagem caiu no terreno certo. Porque ser escuteiro é exactamente isto: construir, no concreto, um mundo melhor, começando pelas pequenas coisas.
No final, o Santo Padre deixou uma imagem muito forte. Pediu que todos saíssem da Muxima como “mensageiros de vida”, levando aos outros “a carícia de Maria e a bênção de Deus”.
É quase um envio escutista.
Ir. Servir. Levar algo bom.
E enquanto milhares rezavam, caminhavam, cantavam e choravam de emoção, os escuteiros estavam lá — discretos, organizados, disponíveis — a ajudar tudo a acontecer.
Sem eles, nada seria igual.
Na Muxima, mais uma vez, ficou claro:
o coração do povo bate forte,
e os escuteiros ajudam esse coração a não perder o ritmo.
Sempre Alerta para Servir.



