
A grande celebração eucarística presidida pelo Papa Leão XIV, neste Domingo, na Centralidade do Kilamba, não foi apenas um momento de fé para milhares de fiéis — foi também um verdadeiro testemunho vivo do espírito escutista em acção.
No meio da multidão, discretos mas firmes, organizados mas sempre próximos, estavam 2.588 escuteiros católicos, mobilizados para garantir o acolhimento, a orientação e o bom andamento de toda a celebração.
Vindos maioritariamente da província de Luanda, com forte presença da Diocese de Viana e da Arquidiocese de Malanje, estes jovens e dirigentes assumiram, com responsabilidade e entrega, uma missão exigente: servir.
E serviram como sabem — com disciplina, com atenção ao outro e com aquele sorriso que muitas vezes faz toda a diferença num ambiente de grande concentração humana.
Enquanto o Arcebispo de Luanda, Dom Filomeno Vieira Dias, dirigia palavras de gratidão ao Santo Padre, pedindo que Angola fosse “um povo unido no bem, na verdade e na justiça, não deixando ninguém para trás”, os escuteiros já estavam a viver essa mensagem no terreno.
Cada orientação dada, cada peregrino ajudado, cada espaço organizado foi um gesto concreto de fraternidade.
Cada passo dado no recinto foi um sinal de que servir não é teoria — é prática.
Num momento em que a Igreja foi chamada a ser presença próxima, a “ouvir o clamor dos seus filhos”, como recordou o Santo Padre na homilia, os escuteiros estiveram exactamente aí: próximos, atentos e disponíveis.
A dimensão do evento exigia organização, paciência e resistência física. Mas não se registou desgaste visível no espírito dos escuteiros. Pelo contrário, havia entusiasmo. Havia missão. Havia orgulho em servir num momento histórico para a Igreja em Angola.
E isso não acontece por acaso. É fruto de formação, de valores e de uma identidade bem enraizada.
Quando Dom Filomeno apelou a uma Angola onde “ninguém fique esquecido, ninguém magoado”, essa visão encontrou eco directo no trabalho dos escuteiros, que garantiram que todos — fiéis, convidados, idosos, jovens — pudessem viver a celebração com dignidade e segurança.
Mais do que organização, os escuteiros ofereceram presença.
Mais do que apoio logístico, ofereceram humanidade.
Num ambiente marcado pela fé, pela emoção e pela alegria de acolher o Papa, os escuteiros foram também sinal visível da juventude que acredita, que se compromete e que constrói.
Porque, no fundo, tudo aquilo que foi vivido naquele recinto — a união, a ordem, o cuidado com o outro — reflecte aquilo que o escutismo ensina todos os dias.
Servir sem esperar recompensa.
Estar onde é preciso.
Fazer bem, em silêncio.
E talvez por isso, no meio de milhares de pessoas, eles não precisaram de destaque para se fazer notar.
O seu testemunho falou por si.
Neste grande encontro com o Sucessor de Pedro, os escuteiros católicos de Angola não foram apenas participantes.
Foram protagonistas silenciosos de uma missão maior.
E mais uma vez mostraram, com simplicidade e verdade, que o lema não é apenas uma frase:
Sempre Alerta para Servir.


