
TEXTO – Alexandre Cose
IMAGENS – Gentileza Vatican News
Depois da grande missa deste Domingo, na Centralidade do Kilamba, e já por volta do meio-dia, o Papa Leão XIV viveu com o povo angolano um momento muito especial: a oração do Regina Coeli — a oração pascal que substitui o Angelus neste tempo de Ressurreição.
Foi um momento simples, mas cheio de significado. Um momento em que o Papa falou ao coração de todos — e também ao coração dos escuteiros.
O Santo Padre começou por fazer um convite muito bonito, chamando todos à oração com Maria:
“Queridos irmãos e irmãs, unamo-nos agora em oração a Maria, Rainha do Céu, para partilhar com ela a alegria da ressurreição.”
Aqui está o primeiro ponto forte: a alegria. Mas não uma alegria vazia ou superficial. O Papa explicou bem que esta alegria não ignora o sofrimento do mundo. Pelo contrário, abraça-o.
Disse:
“Não pretendemos apagar nem abafar o clamor de quem sofre, mas abraçá-lo… para que, mesmo na dor, permaneça viva a nossa fé e a esperança num mundo melhor.”
Para um escuteiro, isto é muito claro. Servir não é fugir da dor dos outros. É estar lá. É ajudar. É carregar um pouco do peso de quem sofre.

E foi exactamente isso que o Papa fez ao lembrar os conflitos que hoje marcam o mundo. Falou da guerra na Ucrânia com palavras de dor e proximidade:
“Manifesto a minha proximidade a quantos sofrem… e reitero o apelo para que as armas cessem e se siga o caminho do diálogo.”
E falou também do Médio Oriente, trazendo um sinal de esperança:
“A trégua no Líbano é motivo de esperança… encorajo todos a continuar os diálogos de paz.”
Ou seja: o Papa não fala só para dentro da Igreja. Fala para o mundo inteiro. E lembra-nos que a paz não acontece por acaso — constrói-se.

Depois, voltou ao centro da fé cristã: a Ressurreição.
“Cristo venceu a morte”, disse o Papa.
E a partir desta certeza, deixou um desafio muito concreto:
“Devemos fazer crescer os frutos da Páscoa: o amor, a verdadeira justiça e a paz.”
Aqui está um verdadeiro programa de vida para qualquer escuteiro.
Amor — no serviço.
Justiça — nas escolhas.
Paz — nas atitudes.
O momento seguiu com a oração do Regina Coeli, cheia de alegria pascal, e depois com as orações tradicionais da Igreja, incluindo a lembrança pelos fiéis falecidos e a bênção final.
Antes de terminar, o Papa confiou todos à protecção de Nossa Senhora:
“Que a Mãe de Jesus nos ajude a sentir sempre viva e forte a presença do seu Filho ressuscitado.”
E esta frase também toca muito o escutismo. Porque Maria é modelo de disponibilidade, de serviço silencioso, de fé firme — exactamente aquilo que se espera de um verdadeiro escuteiro.
No final, o Santo Padre deu a sua bênção, pedindo para todos a alegria de Deus, a liberdade em Cristo e a esperança da vida eterna.
Para os escuteiros católicos de Angola, este momento deixa um recado muito claro:
não basta participar… é preciso viver.
não basta ouvir… é preciso agir.
não basta acreditar… é preciso servir.
Num mundo com guerras, sofrimento e incertezas, o Papa mostrou o caminho:
rezar,
cuidar dos outros,
trabalhar pela paz,
e nunca perder a esperança.
E, no fundo, tudo isto cabe numa expressão que os escuteiros conhecem bem:
Sempre Alerta para Servir — também na construção de um mundo mais justo, mais fraterno e mais cheio de Deus.


