
Texto – Alexandre Cose | Leão Manso
Luanda parou, respirou fundo… e saiu à rua. A chegada de Sua Santidade o Papa Leão XIV transformou a cidade num verdadeiro mar de gente, num daqueles momentos que não se explicam apenas com palavras — vivem-se, sentem-se, guardam-se para sempre.
Desde o Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro até à Cidade Alta, o percurso do Santo Padre foi marcado por uma presença humana impressionante. Jovens, famílias, idosos, crianças — todos queriam ver, acenar, sentir de perto a passagem do Sucessor de Pedro. E no meio dessa multidão, discretos mas firmes, estavam eles: os escuteiros católicos.
Milhares de escuteiros posicionaram-se ao longo do trajecto, formando um verdadeiro cordão humano de serviço. Não estavam ali para aparecer — estavam ali para servir. Orientaram o público, ajudaram a manter os corredores livres, apoiaram as forças de segurança e garantiram que aquele momento de fé não se transformasse em desordem. Missão clara, postura firme, coração disponível.
O papamóvel avançava lentamente, quase ao ritmo do povo. Durante cerca de 40 minutos, o Papa Leão XIV manteve-se de pé, acenando sem cessar, com um sorriso que parecia querer abraçar toda a cidade. De um lado ao outro da estrada, a resposta era imediata: aplausos, cânticos, lágrimas, telemóveis erguidos, mãos no ar. Um povo inteiro em comunhão.
A adesão foi muito além do previsto. Houve momentos em que a multidão apertava, em que o calor pesava, em que a emoção transbordava. Mas mesmo aí, os escuteiros não vacilaram. Mantiveram-se atentos, coordenados, ajudando a transformar um cenário potencialmente difícil num exemplo de organização e civismo.
Ao longo do percurso — passando por zonas como o Cassenda, o Prenda, o Largo da Maianga e subindo pela Rua 17 de Setembro até ao Palácio Presidencial de Angola — a cidade revelou o melhor de si: hospitalidade, alegria e respeito. Gente nas varandas, nos viadutos, nas ruas, todos unidos por um mesmo sentimento.
E os escuteiros, lado a lado com a Polícia Nacional e demais forças, mostraram aquilo que são: uma escola de cidadania activa. Jovens preparados, disciplinados, capazes de agir com serenidade mesmo sob pressão. Jovens que não fogem quando é difícil — avançam.
Este acolhimento não foi apenas logístico. Foi espiritual. Foi humano. Foi escutista.
Para muitos, ver o Papa de perto foi uma bênção. Para os escuteiros, foi também uma missão cumprida.
E naquele caminho entre o aeroporto e o palácio, escreveu-se mais do que uma passagem papal. Escreveu-se um testemunho vivo de serviço.Sempre Alerta para Servir.








