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ESCUTEIROS CATÓLICOS REALIZAM VISITA TÉCNICA AO PERCURSO DO SANTO PADRE E AFINAM ÚLTIMOS PREPARATIVOS PARA A SUA RECEPÇÃO

Texto – Alexandre Cose | Leão Manso

Fotos – Pedro João |Cão de Fila

AECA atinge 85% de preparação e mobiliza mais de 11 mil escuteiros em todo o país para a visita de Sua Santidade o Papa Leão XIV

A Associação dos Escuteiros Católicos de Angola (AECA) realizou, no último Sábado, 4 de Abril, uma visita técnica aos principais pontos do itinerário da passagem de Sua Santidade o Papa Leão XIV, no quadro dos preparativos finais para a sua recepção em Angola.

A jornada de trabalho, que envolveu dirigentes, chefes de grupo e equipas operacionais, permitiu avaliar no terreno as condições logísticas, os pontos de maior pressão, os locais de posicionamento dos escuteiros e os mecanismos de articulação com as forças de segurança e demais entidades envolvidas.

O balanço é globalmente positivo. Segundo o Chefe Gilberto Gil Lopes, Coordenador Nacional da AECA e membro da Comissão Central de Preparação da Visita Papal, o nível de prontidão situa-se actualmente nos 85%, faltando apenas afinações finais, sobretudo ao nível logístico.

Uma mobilização nacional acima das expectativas

A mobilização escutista para este momento histórico ultrapassou largamente as previsões iniciais.

Se, numa primeira fase, se estimava a participação de cerca de 8.000 escuteiros, os números actuais apontam para 11.414 escuteiros mobilizados em todo o território nacional.

Deste total:

  • 2.511 escuteiros estarão destacados em Saurimo, acompanhando a visita do Santo Padre à região;
  • Os restantes escuteiros estarão concentrados maioritariamente em Luanda, Kilamba e Muxima, assegurando presença nos principais momentos do programa.

“Estamos preparados”, afirma o Chefe Gilberto, sublinhando que os grupos já se encontram organizados, os chefes indicados e a distribuição territorial definida.

Quatro grandes frentes operacionais no terreno

A actuação dos escuteiros será estruturada em quatro grandes frentes:

  • Luanda (corredor principal e pontos estratégicos)
  • Kilamba (local da grande celebração eucarística)
  • Muxima (reza do terço e encontro espiritual com os peregrinos)
  • Saurimo (visita pastoral à região leste)

Cada uma destas zonas contará com equipas próprias, devidamente organizadas, com liderança definida e responsabilidades distribuídas.

No caso de Luanda, por exemplo, estarão mobilizados mais de 4.200 escuteiros, provenientes de várias dioceses, enquanto o Kilamba contará com cerca de 2.500 escuteiros, e a Muxima com mais de 1.500, incluindo um grupo coordenado directamente pela Coordenação Nacional.

Primeiro dia: cordão humano com 7 mil escuteiros

Um dos momentos mais exigentes será o dia de chegada do Santo Padre, considerado o de maior pressão a nível de rua.

Neste dia, cerca de 7.000 escuteiros formarão um cordão humano ao longo do percurso entre o Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro e a Cidade Alta, estendendo-se até à Nunciatura Apostólica.

O processo começará 4 horas antes da aterragem do Papa, com os escuteiros a posicionarem-se progressivamente ao longo do trajecto.

A organização prevê uma divisão clara de responsabilidades:

  • Os escuteiros vão assegurar o cordão interior, mais próximo do percurso do Santo Padre;
  • As forças de defesa e segurança garantirão o perímetro exterior, assegurando controlo e segurança global.

ITINERÁRIO ESTUDADO AO DETALHE

A visita técnica realizada no sábado permitiu identificar com precisão:

  • Pontos de maior concentração de fiéis;
  • Locais de eventual paragem do Santo Padre;
  • Zonas de apresentação cultural e acolhimento simbólico;
  • Áreas de estacionamento e circulação de autocarros.

Estão igualmente previstos momentos específicos ao longo do percurso, incluindo:

  • acolhimento de crianças e doentes previamente identificados;
  • manifestações culturais organizadas;
  • presença de grupos paroquiais, infância missionária e escuteiros.

Na Nunciatura Apostólica, a presença escutista será permanente, assegurando acolhimento contínuo ao Santo Padre ao longo da sua estadia.

SAURIMO: ORGANIZAÇÃO CONSOLIDADA NO TERRENO

Na Diocese de Saurimo, onde estarão 2.511 escuteiros, a organização encontra-se igualmente estruturada.

Os escuteiros começarão a chegar entre os dias 16 e 18 de Abril, ficando alojados num espaço previamente identificado, localizado próximo do local da celebração.

A coordenação estará a cargo do Chefe Hernâni Morguier, que se deslocará antecipadamente para garantir a preparação final.

As dioceses participantes incluem, entre outras:

  • Huambo
  • Bié
  • Lubango
  • Dundo
  • Ondiva
  • Luena
  • Cuando Cubango

LOGÍSTICA: PRINCIPAL DESAFIO EM FASE FINAL

Apesar do elevado nível de preparação, a logística continua a ser o principal desafio.

A operação envolve:

  • cerca de 90 autocarros (40 para Saurimo, 20 para Kilamba, 20 para Muxima e 10 para Luanda);
  • organização de acampamentos;
  • distribuição de alimentação;
  • gestão de materiais e equipamentos.

A AECA tem apelado também ao espírito de entreajuda dos próprios escuteiros, incentivando cada participante a contribuir com o essencial para a sua permanência no terreno.

Orientações claras para os participantes

Foram igualmente emitidas orientações específicas sobre o que os escuteiros devem e não devem levar.

Entre os itens proibidos:

  • álcool e substâncias ilícitas;
  • objectos perigosos;
  • equipamentos de grande dimensão;
  • jogos electrónicos;
  • valores elevados em dinheiro.

Entre os itens recomendados:

  • documentos de identificação;
  • credenciais;
  • material de acampamento;
  • água e meios de hidratação, dada a intensidade do calor prevista, sobretudo no Kilamba e na Muxima.

Comunicação: entre o esforço interno e o apelo à mobilização nacional

A nível interno, a comunicação entre os escuteiros está assegurada, sobretudo através de canais digitais e grupos organizados.

No entanto, o Chefe Gilberto chama a atenção para a necessidade de uma mobilização mais intensa a nível público:

“Temos de fazer mais barulho. Esta festa é de todos. As pessoas não precisam de credenciamento para estar na rua. Devem sair, participar, acolher o Papa.”

O apelo é claro: transformar a visita do Santo Padre numa verdadeira manifestação de fé, alegria e unidade nacional.

Uma relação nova entre escuteiros e Igreja

Um dos aspectos mais marcantes deste processo é a evolução da relação entre o escutismo e a Igreja.

Segundo o Coordenador Nacional, os escuteiros deixaram de ser vistos como um grupo periférico para assumirem um papel activo e integrado:

“Hoje, o escuteiro não está a ajudar. O escuteiro é parte do processo.”

Esta mudança traduz-se numa maior participação nas decisões, maior confiança institucional e um sentimento mais profundo de pertença à Igreja.

Uma graça para Angola

No final, a reflexão é também espiritual.

A recepção de um terceiro Papa em cerca de três décadas é vista como uma graça especial para Angola:

“Devemos ajoelhar e dar graças a Deus. Há países que nunca receberam um Papa. Nós estamos a receber o terceiro.”

Para os escuteiros, este momento ficará marcado para toda a vida — como experiência de fé, de serviço e de identidade.

A visita técnica realizada no dia 4 de Abril confirmou que a AECA se encontra numa fase avançada de preparação para a recepção de Sua Santidade o Papa Leão XIV.

Com mais de 11 mil escuteiros mobilizados, uma estrutura operacional definida e um espírito de missão claramente assumido, o Escutismo Católico em Angola prepara-se para ser uma das principais forças de apoio, organização e acolhimento neste momento histórico.

Mais do que uma operação logística, trata-se de um testemunho de fé em movimento.

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