
Assistente Espiritual da AECA apela à entrega, disciplina e espírito de missão durante encontro nacional de preparação
Por Alexandre Cose| Leão Manso
Imagens: AECA
No quadro da reunião nacional realizada pela Associação dos Escuteiros Católicos de Angola (AECA), no último sábado, em Luanda, e que congregou dirigentes e assistentes espirituais de todo o país para definir a estratégia de mobilização dos cerca de 8.000 escuteiros que participarão no acolhimento de Sua Santidade Papa Leão XIV, o Assistente Espiritual da AECA, Cônego Apolónio Graciano, dirigiu uma intervenção marcada pelo testemunho pessoal, pela memória histórica e por um forte apelo à responsabilidade dos escuteiros angolanos.
Falando aos dirigentes reunidos, o sacerdote sublinhou que o sucesso da visita papal dependerá, em grande medida, da capacidade organizativa e do espírito de serviço do movimento escutista, reconhecendo o papel determinante dos escuteiros nas dimensões de protocolo, organização e segurança humana do evento.
“Sem vós, acredito que muita coisa poderia falhar em matéria de protocolo e segurança. É convosco que nós podemos contar para esta grande visita que se aproxima”, afirmou o Cônego Apolónio Graciano, apelando a uma mobilização assente na fé, na entrega e na renúncia pessoal.
A EXPERIÊNCIA DA VISITA DO PAPA BENTO XVI COMO REFERÊNCIA

Durante a sua intervenção, o Assistente Espiritual recordou a experiência vivida aquando da visita do Papa Bento XVI a Angola, destacando que o trabalho então realizado pelos escuteiros e voluntários foi publicamente reconhecido pelo próprio Santo Padre — um facto que permanece como referência para o movimento.
Segundo explicou, a firmeza organizativa adoptada naquela ocasião exigiu disciplina e decisões exigentes, muitas vezes incompreendidas no momento, mas essenciais para garantir a segurança do Pontífice.
“A cabeça do Papa estava sob a nossa responsabilidade em Angola e em África. Representávamos todo o continente. Trabalhámos com oração, entrega e fé, e isso tocou profundamente o próprio Papa”, recordou.
O sacerdote evocou ainda um momento simbólico daquela visita, quando Bento XVI, sentindo confiança no ambiente criado pelos fiéis e voluntários, pediu que fossem abertas as janelas do papamóvel durante uma deslocação.
“O Papa disse: ‘Aqui estou seguro. Abram as janelas’. Isso aconteceu porque havia confiança no povo e no trabalho feito por todos”, destacou.
“NÓS TEMOS DE SER A SEGURANÇA DO PAPA”
Dirigindo-se directamente aos escuteiros, o Cônego Apolónio Graciano insistiu que a missão vai além da simples participação logística, assumindo um significado espiritual e nacional.
Para o sacerdote, cada escuteiro deverá assumir-se como parte activa da segurança moral e humana do Santo Padre, ajudando a transmitir serenidade, organização e confiança durante toda a visita.
“Nós temos de ser a segurança do Papa. Angola tem de se diferenciar. Estamos a receber o terceiro Papa e temos a responsabilidade de mostrar que ele está entre um povo que o acolhe e o protege.”
O Assistente Espiritual defendeu igualmente que o trabalho de preparação deve envolver sensibilização junto das comunidades, de modo que cada cidadão compreenda o seu papel no acolhimento do Pontífice.
DISCIPLINA, OBEDIÊNCIA E ESPÍRITO DE MISSÃO

Num tom pedagógico e pastoral, o Cônego Apolónio Graciano apelou ainda à unidade, disciplina e respeito pela cadeia de comando, características próprias do método escutista.
“Somos soldados ao serviço da Igreja. Um bom soldado escuta a voz do comando e cumpre a missão. Cada escuteiro estará entrincheirado para defender a vida do Papa.”
O sacerdote encorajou dirigentes, assistentes e jovens a viverem este momento como uma verdadeira missão eclesial, lembrando que os bispos da Igreja em Angola depositam grande confiança no movimento escutista.
Uma missão de fé e testemunho para Angola
A intervenção terminou com uma mensagem de confiança e esperança, sublinhando que a forma como Angola acolher o Santo Padre poderá marcar profundamente o pontificado de Papa Leão XIV e reforçar o papel do país no seio da Igreja universal.
“Temos de mostrar que somos filhos da Igreja e que esta Igreja pode contar connosco. Que o Papa sinta que é amado e que a sua visita decorra com a maior segurança possível.” Com esta mobilização nacional, a AECA reafirma o compromisso histórico do Escutismo Católico angolano de servir a Igreja e a sociedade, colocando milhares de jovens Sempre Alerta para Servir, antes, durante e depois da missão apostólica do Santo Padre em Angola. ⚜️


