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PAPA EM ANGOLA 2026: “NÓS NÃO VAMOS FAZER TURISMO. PRECISAMOS DE DIRIGENTES COMPROMETIDOS” – OS ALERTAS DO CHEFE GILBERTO LOPES

Coordenador Nacional destaca organização, experiência e compromisso dos escuteiros angolanos

Texto:  Alexandre Cose | Leão Manso
Imagens: AECA

A Associação dos Escuteiros Católicos de Angola (AECA) avançou para uma nova fase de preparação da participação escutista na visita de Sua Santidade Papa Leão XIV a Angola, marcada para os dias 18 a 21 de Abril de 2026, após a realização de uma reunião nacional que reuniu dirigentes e assistentes espirituais provenientes de todo o país.

Em declarações após o encontro, o Coordenador Nacional da AECA, Chefe Gilberto Gil Lopes, explicou que o movimento escutista angolano está a estruturar uma operação nacional de grande dimensão, assente na experiência acumulada em anteriores visitas papais e em grandes mobilizações juvenis.

Segundo o responsável, a organização não representa um desafio inédito para o Escutismo Católico angolano.

“Não é estranho para nós. Já realizámos movimentações superiores a esta e já temos experiência no acolhimento de um Papa. Aquando da visita de Bento XVI trabalhámos com cerca de cinco mil escuteiros, sobretudo caminheiros e dirigentes”, recordou.

UMA ESTRUTURA NACIONAL ORGANIZADA POR NÍVEIS OPERACIONAIS

Durante a reunião, foram apresentados aos dirigentes os principais detalhes da arquitectura operacional que permitirá mobilizar cerca de 8 mil escuteiros em diferentes pontos da visita papal.

O plano prevê uma organização hierarquizada e funcional, baseada em 4 grandes contingentes de aproximadamente 2 mil escuteiros cada, posteriormente subdivididos em grupos operacionais menores.

Cada contingente será organizado:

  • em grupos de 200 escuteiros,
  • subdivididos em equipas de 25 elementos,
    permitindo assim um  maior controlo, melhor coordenação e mais eficiência no terreno.

De acordo com o Chefe Gilberto Gil Lopes, esta metodologia facilita a gestão logística, disciplinar e operacional, especialmente num evento que envolverá grandes concentrações humanas.

A reunião abordou igualmente:

  • a movimentação interdiocesana dos contingentes;
  • os sistemas de transporte entre Luanda, Kilamba, Muxima e Saurimo;
  • pontos de embarque ferroviário e rodoviário para delegações provinciais;
  • organização alimentar dos campos de serviço;
  • assistência médica e primeiros socorros;
  • credenciamento e identificação rigorosa de escuteiros e agentes pastorais;
  • cadeia de comando e coordenação operacional do evento.

PREPARAÇÃO ESPECIAL PARA O ENCONTRO DO PAPA COM OS JOVENS NA MUXIMA

Um dos momentos centrais da visita será o encontro de Sua Santidade com a juventude no Santuário da Muxima, considerado pela organização como um dos pontos de maior mobilização popular.

Segundo o Coordenador Nacional, os escuteiros deverão chegar ao local antes da presença do Santo Padre, com a missão de preparar o acolhimento dos peregrinos e garantir condições adequadas de organização e segurança.

A expectativa é de uma participação massiva de fiéis, incluindo movimentos juvenis, grupos marianos e peregrinos provenientes de várias regiões do país.

“Sabemos que será um encontro muito participado. A Muxima tem uma dinâmica própria de fé e mobilização popular, por isso os escuteiros devem estar preparados para servir com organização e serenidade”, afirmou.

Segurança e aprendizagem das experiências passadas

Questionado sobre medidas preventivas, tendo em conta incidentes registados na visita do Papa Bento XVI, em 2009, o Coordenador Nacional destacou que os espaços actualmente definidos apresentam melhores condições de circulação e zonas de evacuação.

Ainda assim, reconheceu que o dispositivo exige atenção permanente, apontando Saurimo como o local que requer maior vigilância operacional devido às características do espaço.

COMPROMISSO ACIMA DO ENTUSIASMO

Durante a reunião nacional, o Chefe Gilberto Gil Lopes dirigiu também uma mensagem directa aos dirigentes escutistas, apelando a um verdadeiro espírito de missão.

Para o líder escutista, a participação na visita papal não deve ser encarada como momento de celebração pessoal, mas como serviço exigente à Igreja e à sociedade.

“Não vamos fazer turismo. Vamos estar horas ao sol, com cansaço e exigência física. Precisamos de dirigentes comprometidos, não apenas envolvidos.”

O responsável sublinhou que o escuteiro chamado a servir deverá demonstrar disciplina, espírito de sacrifício e maturidade, contribuindo para que a presença do Santo Padre decorra com ordem e dignidade.

Confiança na mobilização nacional

Apesar da dimensão da operação, o Coordenador Nacional manifestou plena confiança nas equipas escutistas, destacando a forte adesão registada já na primeira reunião de indução.

A participação de milhares de dirigentes, tanto presencialmente como através das ligações online nas dioceses, é vista como sinal claro de compromisso do movimento.

“O facto de termos salas cheias em todo o país mostra que os dirigentes estão comprometidos com esta missão.”

A AECA apela agora a todos os escuteiros a concluírem o processo de inscrição através dos respectivos agrupamentos, permitindo avançar para as fases seguintes de credenciamento e organização final.

A visita de Papa Leão XIV será a terceira visita de um Pontífice a Angola e deverá constituir um dos maiores momentos de mobilização juvenil e eclesial da história recente do país.

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