
Crónica de Alexandre Cose | Chefe Leão Manso
Há notícias que nos alegram.
E há outras que nos acordam por dentro.
Deu-se por estes dias a confirmação da visita do Papa Leão XIV a Angola. A notícia chegou sem ruído excessivo, mas com peso. Para alguns, foi apenas mais um anúncio nos noticiários. Para mim — e para muitos angolanos que vivem a Igreja por dentro, como escuteiros — foi um chamamento. Um desses instantes raros em que a História não grita, mas sussurra; não impõe, mas interpela. Como quem bate à porta da consciência e pergunta, com delicadeza firme: e agora, o que vais fazer tu com isto?
O Papa vem para a todos abraçar. Vem como Pastor universal, como sinal visível de unidade, como pai que atravessa oceanos para estar com os seus filhos. Vem para uma Igreja concreta, feita de pessoas reais — com feridas abertas, com cansaços antigos, com esperanças teimosas.
Vem para um país inteiro.
E, no meio desse todo, estamos nós.
Os Escuteiros Católicos de Angola.
O próprio modo como esta visita está a ser preparada diz muito da sua dimensão. O próprio Presidente da República mobilizou-se com alto nível de exigência. Criou uma super Comissão multissetorial, com ministros, responsáveis estratégicos, estruturas de decisão. Tudo em articulação com a CEAST e com a Nunciatura Apostólica. Não é para acautelar somente questões logística. É reconhecimento. É consciência de que a presença do Papa toca algo profundo na alma de um povo.
A Igreja prepara-se.
O Estado prepara-se.
O país prepara-se.
E nós?
O escutismo nunca foi feito para os holofotes. Nunca nasceu para aparecer apenas nos dias grandes. O escutismo constrói-se no silêncio dos acampamentos, na paciência das formações, na disciplina dos pequenos gestos bem feitos, no serviço que ninguém vê mas que sustém tudo.
Por isso mesmo, esta visita interpela-nos de forma particular.
Não podemos improvisar.
Não podemos assistir sentados.
Não podemos viver isto como quem passa por um evento e segue.
A vinda do Papa Leão vai exigir de nós maturidade e saber estar e servir. Que saibamos obedecer sem perder a alegria. Que saibamos organizar sem perder o coração.
Vai exigir oração — porque ninguém acolhe o Vigário de Cristo sem interioridade.
Vai exigir humanidade — porque lidaremos com multidões, diferenças, pressões.
Vai exigir método — porque o escutismo é ordem, coordenação, trabalho em equipa.
Vai exigir espírito pastoral — porque este será, sobretudo, um grande momento de evangelização, especialmente para os jovens.
O Papa ficará alguns dias.
Mas o que pode nascer desses dias pode durar gerações.
E é aqui que o nosso papel se torna claro.
Os escuteiros não são figurantes na vida da Igreja. Nunca foram. São juventude organizada, são escola de serviço, são Igreja em saída. Quando a Igreja chama, o escuteiro responde. Quando é preciso acolher, orientar, proteger, manter serenidade e bom espírito, o escuteiro está lá — com naturalidade, com simplicidade, com firmeza.
Esta visita convoca todos: crianças, jovens, adultos, idosos, autoridades e povo simples. Mas convoca-nos a nós de forma muito concreta. Porque somos método. Porque somos presença. Porque somos serviço.
Para mim, pessoalmente, é um desafio enorme. Exigente, sim. Mas profundamente belo. Porque mostra que a Igreja confia nos seus jovens. E quando a Igreja confia, o escuteiro não falha.
Preparemo-nos com seriedade.
Organizemo-nos com humildade.
Sirvamos com alegria.
Rezemos com profundidade.
O Papa vem para todos.
E nós, Escuteiros Católicos de Angola, estaremos onde a Igreja precisar de nós — com os pés bem assentes no chão, o coração em Deus e as mãos disponíveis para servir.
Sempre Alerta para Servir.


