
O CEO da Pumangol falou ao AECA Podcast sobre os bastidores da reabilitação da sede nacional da Associação dos Escuteiros Católicos de Angola e sobre o tipo de parceria que pretende continuar a construir com o movimento escutista católico.
Na noite da inauguração da sede nacional da Associação dos Escuteiros Católicos de Angola (AECA), o Dr. Ivanilson Machado, CEO da Pumangol, foi um dos convidados do AECA Podcast, entrevistado por Alexandre Cose sobre o papel determinante da petrolífera na reabilitação do espaço que hoje acolhe a coordenação nacional da Associação.
De uma visita inesperada a um projecto de reabilitação
Ivanilson Machado recordou que tudo começou com uma visita de Dom Belmiro Chisenguete e de Gilberto aos escritórios da Pumangol, no contexto dos preparativos para a visita do Papa a Angola. Foi nesse encontro que tomou verdadeira consciência das dificuldades enfrentadas pelos escuteiros católicos — desde a falta de uniformes até à inexistência de um arquivo central ou de qualquer espaço próprio, obrigando muitos voluntários a guardar material nos próprios carros ou em casa.
Perante os relatórios técnicos das empresas de construção que visitaram o espaço — nas suas palavras, todas concordavam que “aquilo estava muito mal” —, chegou a preparar-se para comunicar más notícias a Dom Belmiro. Foi então que decidiu mudar de abordagem: em vez de a Pumangol assumir sozinha o encargo, procurou activamente um parceiro estratégico do sector da construção civil, contactando pessoalmente diversos directores-gerais e CEOs de empresas do ramo.
“Precisávamos devolver a dignidade aos escuteiros”, afirmou, recordando a palavra que haveria de ficar como fio condutor de todo o processo. Encontrado o parceiro, os custos da reabilitação foram partilhados entre as duas entidades.
“Ver os escuteiros felizes não tem retorno melhor”
Confessando nunca ter visitado o espaço antes das obras, Ivanilson Machado descreveu a emoção de, finalmente, ali entrar e testemunhar o resultado do trabalho — e, sobretudo, a alegria dos escuteiros por disporem, agora, de uma casa própria. “Não há retorno melhor do que esse”, afirmou.
Talento escutista e responsabilidade social
Questionado sobre o tipo de relação que pretende construir com a AECA no futuro, o CEO da Pumangol apontou diversas possibilidades de cooperação. Referiu ter ficado surpreendido, durante a cerimónia, ao constatar a diversidade de talentos entre os escuteiros presentes — fotógrafos, produtores audiovisuais — e sublinhou que, entre os mais de 38 mil escuteiros católicos registados em Angola, poderão certamente encontrar-se perfis profissionais que interessam a empresas como a Pumangol, desde que a própria estrutura da AECA assegure um adequado processo de selecção e encaminhamento.
Apontou ainda as acções de responsabilidade social da Pumangol — incluindo voluntariado dos próprios funcionários e feiras de saúde realizadas por várias províncias — como áreas onde a parceria com os escuteiros católicos poderá ser reforçada.
Reflectindo sobre a juventude angolana em geral, Ivanilson Machado manifestou identificar-se com a leitura feita por Dom Belmiro: muitos jovens têm sonhos e vontade, mas poucos estão dispostos a lutar efectivamente por eles, num contexto de imediatismo em que se prefere “ser” a “fazer para ser”.
Um desafio para o futuro: manter, não apenas melhorar
Questionado sobre o que gostaria de encontrar, dentro de alguns anos, ao regressar a esta sede, Ivanilson Machado foi claro: mais do que melhorá-la ainda mais, a grande responsabilidade dos escuteiros é agora manter o espaço com a qualidade e o cuidado que apresenta hoje, cientes de que oportunidades desta natureza não surgem com frequência. Deixou ainda uma palavra de incentivo para que os próprios escuteiros continuem a lutar por mais — uniformes, formação, novas sedes noutras províncias — como forma de ajudar a Associação a crescer.
Um gesto pessoal de amizade
No decurso da cerimónia, Ivanilson Machado ofereceu a Dom Belmiro um quadro pintado à mão, com um retrato do próprio Coordenador Nacional — um presente que, sublinhou, não partia da Pumangol enquanto empresa, mas de si próprio, como gesto pessoal, evocando a empatia sentida desde o primeiro encontro entre ambos e a amizade que, desde então, se construiu.
Texto: Alexandre Cose | Leão Manso



