
Cabinda, 27 de Dezembro de 2025 – No contexto da celebração do Natal Escutista, Dom Belmiro Cuica Chissenguenti, Bispo de Cabinda e Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Juvenil, Universitária, Escutismo e Vocações, dirigiu uma mensagem profunda e exigente aos escuteiros católicos, sacerdotes, assistentes e dirigentes, convidando toda a família escutista a ler o momento presente à luz de Deus e a responder com fé, maturidade e responsabilidade.
Reconhecendo que o ano de 2025 foi marcado por desafios e mudanças significativas no seio do escutismo em Angola, Dom Belmiro sublinhou que os cristãos são chamados a interpretar os acontecimentos como sinais dos tempos, ajustando o passo e o caminho àquilo que professam e transmitem às novas gerações.
Escutismo: universal na forma, católico na identidade
Na sua reflexão, o prelado recordou a natureza universal do escutismo, aberto ao diálogo ecuménico e inter-religioso, mas foi claro ao afirmar que, para os católicos, o escutismo vivido na Igreja é explicitamente católico, orientado pela fé, pela doutrina e pela tradição da Igreja.
Citando um dos princípios fundamentais do escutismo, Dom Belmiro reforçou que o escuteiro orgulha-se da sua fé e por ela orienta toda a sua vida, sendo esta, para os escuteiros católicos, a fé da Igreja Católica.
Formação e responsabilidade dos assistentes e dirigentes
Um dos pontos centrais da homilia foi o apelo à formação séria e contínua dos assistentes espirituais e dirigentes. Dom Belmiro alertou para os riscos de um escutismo conduzido sem conhecimento da sua pedagogia e mística, sublinhando que ninguém pode orientar sem ter sido formado.
Com exemplos claros e pedagógicos, comparou a missão escutista à de um médico, advogado ou piloto, afirmando que a boa vontade não substitui a formação, e que a falta de preparação conduz inevitavelmente à desorientação da “tropa”.
O Bispo destacou ainda que a verdadeira mística escutista é a do sacrifício, da simplicidade e da presença, exigindo que o assistente caminhe com os escuteiros, sem confundir papéis, assumindo sempre a função de pastor, guia e mobilizador dentro da comunidade.
Mobilização, serviço e vida comunitária
Dom Belmiro foi particularmente incisivo ao afirmar que os dirigentes e assistentes devem estar na linha da frente da mobilização, tanto espiritual como prática, incentivando a participação nas actividades, promovendo o envolvimento da comunidade paroquial e sendo os primeiros a contribuir e a servir.
A missão escutista, recordou, não se vive à distância, mas no meio da vida concreta, com responsabilidade, generosidade e espírito comunitário.
Num tom marcado pela gratidão, Dom Belmiro agradeceu publicamente aos dirigentes, escuteiros e sacerdotes que “seguraram a barca” durante os momentos mais difíceis da recente travessia do escutismo católico em Angola, destacando exemplos concretos de agrupamentos e jovens que, com coragem e fidelidade, mantiveram viva a chama escutista nas paróquias.
O Bispo enalteceu particularmente o papel dos caminheiros, reconhecendo-os como a força e o ponto mais alto do sonho escutista, chamados a assumir responsabilidades e a abrir caminhos para o futuro do movimento.
Identidade, consequências e caminho de maturidade
Dom Belmiro reafirmou que o Escutismo Católico pertence à Igreja Católica, recordando o contributo do Padre Jacques Sevin e o reconhecimento do próprio Baden-Powell à dimensão espiritual do escutismo católico.
Ao abordar o período de separação vivido, foi claro ao afirmar que todas as escolhas têm consequências, tanto a permanência na Igreja como a saída dela, sublinhando que a fidelidade à Igreja implica obediência, coerência e responsabilidade.
Apesar das perdas registadas, o Bispo apresentou com esperança os dados do Censo Nacional, salientando que mais de 43 mil escuteiros católicos permaneceram na Igreja, um sinal claro de resiliência, maturidade e fidelidade da grande maioria.
Organização, futuro e esperança
Na parte final da homilia, Dom Belmiro anunciou passos concretos para a uniformização nacional, a criação de lojas escutistas católicas com preços justos, a implementação do SIGECA e a consolidação organizativa do movimento, sempre com atenção à justiça social e à acessibilidade para todas as famílias.
Concluiu reafirmando que a Igreja não tem medo de recomeçar, convidando todos os escuteiros a caminharem juntos, com paciência, unidade e confiança, certos de que o caminho se faz caminhando.
O Natal Escutista foi, assim, apresentado como um tempo de renovação, compromisso e missão, onde cada escuteiro é chamado a fazer nascer Cristo na vida dos outros, através do testemunho, do serviço e da fidelidade à Igreja.
Sempre Alerta para Servir. ⚜️


