
Dirigentes e candidatos a Dirigentes dos Escuteiros Católicos de Angola (AECA), provenientes de diferentes Paróquias da Arquidiocese de Luanda, participaram na formação catequética que culminou com a Missa de Envio dos Catequistas, celebrada no dia 13 de Setembro, na Paróquia São João Paulo II.
Para alguns dos nossos Dirigentes, o momento marcou a conclusão do respectivo curso de catequese; para outros, foi antes uma oportunidade de actualizar e reforçar conhecimentos já adquiridos. Em ambos os casos, esta formação responde a uma preocupação bem concreta do Escutismo Católico: preparar cada vez melhor os adultos que acompanham crianças e jovens na sua caminhada de fé.
A participação dos nossos Dirigentes nesta formação insere-se, assim, no esforço de reforço da dimensão evangelizadora do Movimento, e na preparação de adultos capazes de integrar a formação cristã no acompanhamento educativo que o Escutismo proporciona. A celebração, que assinalou a abertura solene do Ano Catequético 2026/2027 na Arquidiocese de Luanda, reuniu também catequistas vindos das oito Vigararias da Arquidiocese.
“Todos somos catequistas”
Na homilia, o Bispo Auxiliar de Luanda, Dom António Bengui, apresentou uma ideia que encontra particular eco na missão dos nossos Dirigentes: “todos somos catequistas por inerência dos nossos ofícios”. Dirigindo-se aos presentes como companheiros de missão, o prelado recordou que a evangelização não é responsabilidade exclusiva dos catequistas formalmente instituídos — sacerdotes, religiosos, movimentos e outros agentes pastorais participam todos, cada um a partir da sua missão, na construção da comunidade cristã.
É precisamente neste quadro que se compreende também o papel do Dirigente Escutista Católico: para além da aplicação do Método Escutista e do acompanhamento educativo dos jovens, é chamado a contribuir para a sua formação cristã e para a vivência concreta dos valores do Evangelho. Dom António sublinhou ainda que os pastores contam com a disponibilidade dos catequistas e dos diferentes agentes eclesiais para colaborarem no processo de evangelização da Igreja particular, deixando claro, a propósito dos movimentos católicos, que “os movimentos na Igreja Católica não são sindicais” — são, sim, organismos de colaboração e corresponsabilidade ao serviço da evangelização contínua.
Fé e amor na construção da comunidade

Durante a reflexão, o Bispo Auxiliar apresentou dois grandes eixos da missão do catequista. O primeiro foi a responsabilidade do catequista na construção e solidificação da comunidade — não apenas de um lugar físico, explicou, mas de um ambiente, de uma cultura e de formas concretas de viver a fé dentro da própria comunidade. Inspirando-se na exortação apostólica Catechesi Tradendae, sublinhou que o catequista é chamado a participar na construção de uma verdadeira cultura religiosa, assente antes de tudo na fé.
O segundo eixo foi apresentado sob a expressão “catequista, construtor do Reino”, tendo o amor como fundamento. “Qual Reino tu és construtor?”, questionou o Bispo, convidando os presentes a examinarem não apenas aquilo que ensinam, mas, sobretudo, aquilo que testemunham através da própria vida.
A formação não substitui o testemunho
Uma mensagem que ganha especial relevância para os Dirigentes Escutistas que participaram nesta formação. Dom António advertiu que possuir os sacramentos da iniciação cristã ou frequentar cursos de formação, sendo importante, não é suficiente para quem assume a responsabilidade de evangelizar: “construir o Reino começa por sermos construtores humanos”. Segundo o prelado, a integridade ético-moral e a coerência de vida são elementos fundamentais na escolha de quem a Igreja confia responsabilidades pastorais.
Para o Escutismo Católico, esta exigência encontra correspondência directa na missão educativa do Dirigente: não basta transmitir princípios — é preciso procurar vivê-los diante dos jovens. É, no fundo, mais uma forma de dizer aquilo que já sabemos de cor: educar pelo exemplo.
Perdoar e reconciliar
Comentando o Evangelho segundo São Mateus, capítulo 18, Dom António Bengui recordou ainda que os cristãos são chamados a ser “agentes de perdão e agentes de reconciliação”. O ensinamento de perdoar “setenta vezes sete”, explicou, não deve ser entendido como um exercício mecânico, mas como uma escolha consciente e livre, que deve conduzir sempre à reconciliação.
Também nesta dimensão, o Dirigente Escutista é chamado a desempenhar um papel educativo, ajudando crianças e jovens a aprenderem a viver em comunidade, a superar conflitos e a construir relações fundadas no respeito, no perdão e na fraternidade — valores que, já sabemos, fazem parte da própria Lei do Escuta.
Corresponsáveis na Igreja e na sociedade

Dom António lembrou ainda que os catequistas partilham, com o Arcebispo de Luanda, Dom Filomeno Vieira Dias, a responsabilidade pela construção contínua da Igreja local — uma missão que ultrapassa os limites das estruturas paroquiais e se prolonga na família, na escola, nos locais de trabalho e na sociedade. É precisamente neste espaço mais alargado que a formação catequética dos nossos Dirigentes ganha particular importância: o Agrupamento é também, ele próprio, um lugar de evangelização, de formação humana, de convivência e de crescimento na fé.
Perante os desafios do presente, o Bispo Auxiliar defendeu uma evangelização capaz de dialogar com a cultura e com a realidade das pessoas, recorrendo a métodos adequados ao tempo actual e superando práticas que já não respondem às necessidades das comunidades.
“As nossas pequenas acções são grandes eventos de salvação”
No final da celebração, Dom António Bengui agradeceu o trabalho desenvolvido pelos catequistas e por todos os que colaboram na missão evangelizadora da Igreja: “as nossas acções, mesmo pequenas, são grandes eventos de salvação” — um obrigado sentido pelo trabalho de tantas mãos, muitas vezes discreto, mas nunca pequeno aos olhos de Deus. Na bênção final, pediu para todos os presentes os dons da sabedoria, saúde, discernimento e perseverança, confiando a missão dos catequistas à protecção de Nossa Senhora, Mãe da Igreja.
Para os Dirigentes e candidatos a Dirigentes da AECA presentes, esta celebração foi também um reforço de uma convicção essencial do nosso Escutismo Católico: acompanhar jovens na fé exige preparação, coerência, testemunho e formação permanente. Porque, antes de ensinar a caminhar, também o Dirigente precisa de continuar, ele próprio, a aprender o caminho.
Sempre Alerta para Servir!
AECA — Muito mais do que se vê.
Alexandre Cose | Leão Manso e Victória Ferreira



