
Clânio Mateus “Fantasma” conquista vaga no Rover Moot e leva Viana ao palco internacional do Escutismo. O caminheiro do Agrupamento 322, Diocese de Viana, foi um dos dois sorteados no desafio dos “250 Amigos” do ADRO 2026 e garantiu participação no Rover Moot internacional, na Dinamarca, num momento marcado por surpresa, entusiasmo colectivo e testemunho de perseverança. Entre amizades construídas em menos de 48 horas e aprendizagens espirituais profundas, Mateus transforma um simples desafio num sonho concretizado e numa nova missão para representar Angola no mundo.
Texto: Alexandre Cose | Leão Manso
Quando o nome Clânio Mateus Samuel ecoou no recinto do ADRO 2026, houve aplausos, gritos e uma onda de entusiasmo que partiu directamente da delegação de Viana.
Mas, no centro daquela vibração toda, estava um jovem ainda totalmente incrédulo.
“Eu não estava à espera”, confessou.
Conhecido no movimento pelo seu totem “Fantasma”, Mateus, do Agrupamento 322, Diocese de Viana, tornou-se um dos dois caminheiros sorteados para participar no Rover Moot internacional, na Dinamarca, prémio avaliado em 3.500.000 Kz.
E até hoje, diz ele, “a ficha ainda não caiu”.
Curiosamente, Mateus revela que o seu principal objectivo não era ganhar o prémio, mas fazer novos amigos no ADRO.
“O meu objetivo era fazer amizades, criar laços e ter o máximo de contactos possível.”
O desafio dos “250 Amigos” exigia recolher pelo menos 250 novos contactos durante o ADRO. Para muitos, parecia impossível em menos de 48 horas. Para ele, tornou-se uma experiência de crescimento.
A curiosidade sobre o prémio manteve-o firme até ao final. Mas o que realmente o motivou foi algo mais profundo: conectar-se com pessoas. E foi isso que fez.
Persistência constrói sonhos
Ao ser questionado sobre o que leva destes dias intensos, Mateus foi claro:
“Aprendi que fazer amizades é um bom método de concretizar sonhos. E que a persistência é o que faz você se tornar aquilo que almeja.”
A frase resume o espírito do desafio. Não se tratava apenas de contactos, mas de coragem para se aproximar, de disciplina para continuar, de resistência ao cansaço. O prémio foi apenas uma consequência.
Espiritualidade na prática
Durante o ADRO, Mateus participou activamente nas oficinas espirituais. Trabalhou na Oficina do Terço e na Oficina da Hóstia, experiências que descreve como marcantes. Ficam para a vida.
Aprendeu a confeccionar um terço — respeitando padrões específicos, seguindo orientação formativa — e também a produzir hóstias, compreendendo melhor o que acontece na Eucaristia.
“Até certo momento, a hóstia é algo normal. Depois da consagração, torna-se Corpo de Cristo.”
Ao falar sobre isso, reconhece o mistério da fé:
“É um mistério. Só quem vive a espiritualidade consegue entender.”
Diz que esta experiência foi mais do que apenas uma aprendizagem técnica. Acabou por ser aprofundamento espiritual.
A força de Viana
Se houve uma delegação que vibrou intensamente naquela noite, foi a de Viana. Mateus explica porquê:
“Nós partilhamos uma energia positiva um com o outro.”
O grupo de cerca de trinta caminheiros que o acompanhava foi presença constante, animada, solidária. O entusiasmo colectivo ajudou a criar o ambiente que marcou o ADRO 2026. A vitória foi individual, mas celebrada como conquista comum.
“Ainda não acredito”
Ao falar da viagem internacional, Mateus admite que ainda está a processar a dimensão do que aconteceu.
“É algo inesperado. Uma surpresa. Não encontro palavras para descrever o sentimento.”
Mas há algo que já sabe com certeza: este momento representa mais um passo na concretização de um sonho pessoal dentro do escutismo.
O jovem que entrou no desafio para fazer amigos sai agora com uma missão internacional.
E talvez a maior lição esteja aí: Quem entra disposto a construir laços, acaba por construir pontes.
O ADRO 2026 encerrou com cânticos e oração.
Mas para Mateus “Fantasma”, foi o início de uma nova etapa.
Sempre Alerta para Servir. ⚜️✨


