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AECA testemunha inauguração do Memorial às Vítimas dos Conflitos Armados e defende educação dos jovens para a paz

Convidada pela Presidência da República, a Associação dos Escuteiros Católicos de Angola participou na cerimónia inaugural do Memorial, em Luanda. Em declarações à Rádio Nacional de Angola, o representante da AECA, Chefe Alexandre Cose — Leão Manso, destacou o valor da memória histórica e anunciou a intenção de promover visitas educativas de escuteiros ao monumento.

A Associação dos Escuteiros Católicos de Angola (AECA) participou, nesta Quarta-feira, 14 de Outubro de 2026, na cerimónia de inauguração do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos, realizada em Luanda, num espaço adjacente ao Memorial Dr. António Agostinho Neto.

A cerimónia, presidida pelo Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, assinalou a abertura de um monumento dedicado à memória das vítimas dos conflitos políticos ocorridos em Angola entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002.

Convidada pela Presidência da República, a AECA esteve representada pelo Chefe Alexandre Cose — Leão Manso, em nome do Coordenador Nacional, Chefe Gilberto Gil Lopes, juntando-se a representantes dos órgãos de soberania, autoridades religiosas e tradicionais, membros do Executivo, familiares das vítimas e organizações da sociedade civil.

A participação da Associação revestiu-se de particular significado pela sua missão de formação humana, espiritual e cívica das novas gerações, assente nos valores da fraternidade, do serviço ao próximo, da solidariedade e da construção da paz.

«A HISTÓRIA NÃO SE APAGA»

Em declarações à Rádio Nacional de Angola (RNA), à margem da cerimónia inaugural, o Chefe Alexandre Cose considerou que a construção do Memorial representa um importante compromisso colectivo com a preservação da memória histórica do país.

«É um momento que nos convoca para a homenagem à história. A história não se apaga, ela deve ser vivida», afirmou o dirigente da AECA.

Segundo o Chefe Cose, monumentos desta natureza constituem referências fundamentais para a preservação da memória nacional, permitindo que os acontecimentos do passado continuem presentes na consciência das gerações actuais e futuras.

«Símbolos como este que nós temos hoje ocasião de ver ser inaugurado são elementos que nos remetem exactamente para esta memória, que é uma obrigação de toda a nação inteira», acrescentou.

Alexandre Cose manifestou igualmente a satisfação da Associação pelo convite recebido para participar na cerimónia, considerando-a um momento marcante e simbólico da história contemporânea de Angola.

FRATERNIDADE E SERVIÇO COMO CAMINHOS PARA A PAZ

Questionado pela Rádio Nacional de Angola sobre o contributo do Memorial para a promoção da paz e da unidade entre os angolanos, o representante da AECA estabeleceu uma ligação entre o significado do monumento e os valores fundamentais do movimento escutista.

«A fraternidade é um dos valores que nós, escuteiros, cultivamos. A unidade, o trabalho pelo bem, o fazer bem, o deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontrámos», sublinhou.

Para o dirigente, estes princípios encontram expressão no propósito de homenagear aqueles que perderam a vida durante os conflitos que marcaram o país, transformando a memória do sofrimento num apelo à convivência pacífica e à responsabilidade colectiva.

A reflexão remete igualmente para um dos ensinamentos centrais do fundador do Escutismo, Baden-Powell, que desafiou os escuteiros a deixarem o mundo um pouco melhor do que o encontraram.

Neste contexto, a presença da AECA na cerimónia traduz o compromisso da Associação com a educação para a cidadania, a valorização da vida humana e a promoção de uma cultura de paz entre crianças, adolescentes e jovens.

MEMORIAL PODERÁ INTEGRAR VISITAS EDUCATIVAS DOS ESCUTEIROS

Um dos aspectos mais relevantes das declarações prestadas à RNA foi a perspectiva de utilização do Memorial como espaço de aprendizagem histórica e formação cívica dos membros da Associação.

Alexandre Cose manifestou a intenção de incentivar a realização de excursões educativas ao monumento, envolvendo as diferentes secções escutistas.

«Já estou a ver que este vai ser um cenário privilegiado dos nossos mais novos. Vamos realizar muitas excursões com os nossos escuteiros, os Lobitos, os Juniores, os Seniores, os Caminheiros, para virem aqui ver, testemunhar», afirmou.

A iniciativa, cuja concretização poderá ser desenvolvida no âmbito das actividades educativas da Associação, permitiria aproximar os jovens da história nacional, proporcionando-lhes uma experiência de aprendizagem para além das salas de formação e dos encontros escutistas.

O Memorial apresenta, assim, potencial para acolher actividades de educação para a paz, reflexão sobre a história de Angola e valorização dos princípios de tolerância, respeito pela diferença e reconciliação.

Através destas experiências, os escuteiros poderão compreender melhor as consequências humanas dos conflitos e a importância de preservar a paz conquistada, assumindo responsabilidades na construção de um futuro de maior fraternidade.

UM ESPAÇO DE MEMÓRIA E RECONCILIAÇÃO NACIONAL

Durante a cerimónia inaugural, as intervenções institucionais destacaram o significado histórico, humano e simbólico do Memorial, concebido não apenas como uma obra arquitectónica, mas como um espaço de homenagem às vítimas e de reconhecimento do sofrimento vivido por milhares de famílias angolanas.

A sua estrutura principal, denominada Aliança Eterna, apresenta duas torres que se aproximam e se unem, simbolizando o abraço fraternal e a reconciliação entre angolanos.

O complexo integra espaços museológicos, salas de exposição, recursos audiovisuais e tecnologias interactivas destinados à preservação e transmissão da memória histórica.

O Hall de Memória constitui um espaço de recolhimento e homenagem, enquanto a Mulembeira da Reconciliação evoca a transmissão do conhecimento entre gerações, o diálogo e a sabedoria colectiva.

As intervenções que antecederam o acto inaugural realçaram igualmente a importância de transformar a memória histórica num património comum, acessível às famílias, aos estudantes, aos investigadores e às gerações futuras.

IGREJAS APELAM AO PERDÃO, À VERDADE E À JUSTIÇA

A cerimónia foi também marcada por uma mensagem de reflexão e oração apresentada por um representante do Conselho de Igrejas Cristãs em Angola, que apelou à reconciliação nacional, ao perdão e à superação das divisões que marcaram a história do país.

Na sua intervenção, o representante religioso recordou que o perdão não pode significar o apagamento da história, a negação das injustiças ou o esquecimento das vítimas.

A reconciliação, sublinhou, exige verdade, justiça, arrependimento sincero e respeito pela dignidade humana.

A mensagem dirigiu um apelo particular às novas gerações, incentivando os jovens a escolherem o diálogo em vez da violência e a assumirem um papel activo na construção de uma Angola mais unida.

Para a AECA, estes valores encontram correspondência directa na sua missão educativa, que procura formar cidadãos responsáveis, comprometidos com a fé, com o próximo e com o serviço à Pátria.

EDUCAR PARA QUE A HISTÓRIA NÃO SE REPITA

A inauguração do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos representa uma oportunidade para reforçar, junto das novas gerações, a consciência de que a paz constitui um património nacional que deve ser permanentemente protegido.

Ao participar nesta cerimónia, a Associação dos Escuteiros Católicos de Angola reafirma a importância de associar a educação escutista ao conhecimento da história, à preservação da memória e à formação de cidadãos capazes de contribuir para uma sociedade mais justa e fraterna.

As visitas educativas perspectivadas pelo seu representante poderão transformar o novo Memorial num espaço de aprendizagem para os escuteiros, permitindo que a história seja conhecida não apenas através dos livros, mas também pelo contacto directo com os lugares que preservam a memória colectiva.

Porque conhecer o passado é também uma forma de assumir responsabilidades perante o futuro.

E, para os Escuteiros Católicos de Angola, essa responsabilidade traduz-se numa missão permanente: educar para a paz, promover a fraternidade e contribuir para deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos.

AECA — Sempre Alerta para Servir!

Texto e fotografia: Alexandre Cose | Leão Manso

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Podem participar adultos responsáveis, jovens e crianças integrados nas paróquias, comunidades ou missões da Igreja Católica sob a responsabilidade da CEAST, obedecendo as regras de idade e critérios específicos de cada unidade.

A sede da AECA está situada na província de Luanda, Município do Sambizanga, na Rua Comandante Bula, n.º 118, com vigência indeterminada.

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