
Dom Belmiro Chissengueti presidiu à cerimónia e reafirmou a identidade católica, o carácter apartidário e a vocação de serviço da Associação. O CEO da Pumangol, Ivanilson Machado, desafiou os jovens a sonharem grande, trabalharem mais e transformarem a nova casa numa escola de carácter, liderança e serviço.
A Associação dos Escuteiros Católicos de Angola (AECA) inaugurou, nesta Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026, a sua Sede Nacional, localizada na Rua Comandante Bula, n.º 118, no edifício da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), no bairro São Paulo, em Luanda.
A cerimónia, presidida por Dom Belmiro Chissengueti, Bispo de Cabinda e Presidente da Comissão Episcopal para a Juventude, Vocações, Pastoral Universitária e Escutismo, reuniu dirigentes, assistentes eclesiásticos, escuteiros, convidados e parceiros da Associação, tendo como convidado de honra o Dr. Ivanilson Machado, CEO da Pumangol, empresa que apoiou, com parceiros, as obras de recuperação e adaptação das instalações.
A abertura da nova casa dos jovens da farda azul escura é vista, na actual conjuntura, como um importante marco na caminhada dos Escuteiros Católicos de Angola, que passam a dispor de um espaço próprio para o funcionamento administrativo, formação, organização de materiais, alojamento, comunicação e produção de conteúdos audiovisuais.
Com a inaugurar das suas instalações, a AECA assinalam o início de uma nova etapa de responsabilidade.
Na sua intervenção, Ivanilson Machado dirigiu uma mensagem particularmente centrada nos jovens e na necessidade de transformar confiança em oportunidades concretas.
Disse que “acreditar nos jovens não pode ser apenas um discurso, tem que ser acção.” O CEO da Pumangol incentivou os escuteiros a não permitirem que outras pessoas diminuam a dimensão dos seus sonhos, lembrando, porém, que sonhar deve ser acompanhado de preparação, estudo, curiosidade, respeito e trabalho.
“Sonhem grande, mas trabalhem mais ainda. Estudem, preparem-se, sejam curiosos, respeitem os outros, cumpram a vossa palavra.”
Para Ivanilson Machado, a liderança não começa necessariamente quando alguém recebe um cargo ou um título. Manifesta-se também nas pequenas atitudes do quotidiano.
“Lideramos quando ajudamos alguém, lideramos quando assumimos um erro, lideramos quando cumprimos a nossa palavra, lideramos quando fazemos o que está certo, mesmo quando ninguém está a ver”, afirmou.

O responsável da Pumangol desejou que a nova Sede Nacional seja uma verdadeira “escola de serviço, de carácter e de liderança”, capaz de preparar jovens para servir as suas famílias, comunidades, a Igreja e Angola.
“Ser extraordinário não significa ser melhor do que os outros; significa dar o melhor de nós aos outros.”
Na perspectiva de Ivanilson Machado, se os jovens que passarem pela nova casa saírem mais preparados para servir e fazer o bem, o resultado da parceria terá ido muito além da recuperação física de um edifício.
“Não teremos apenas reabilitado uma sede. Teremos ajudado a construir uma Angola melhor”, concluiu.
Dom Belmiro reafirma identidade católica
Na intervenção que antecedeu a declaração oficial de inauguração, Dom Belmiro Chissengueti fez um balanço do primeiro ano desta nova etapa da AECA e colocou a identidade religiosa no centro da missão da Associação.
Recordando os pilares do Escutismo — Deus, a Pátria e o próximo — o Bispo de Cabinda sublinhou que, para o escuteiro católico, a vida escutista deve ser compreendida à luz da fé.
Dom Belmiro salientou que a Promessa Escutista não substitui nem se sobrepõe ao compromisso cristão assumido no Baptismo.
Na sua leitura, o escuteiro católico vive o Escutismo como consequência da sua identidade cristã, orientando a sua relação com Deus para o serviço aos irmãos, à Igreja e à sociedade.
O Assistente Nacional destacou, neste contexto, o reforço da ligação institucional da Associação com a CEAST, os bispos, sacerdotes, assistentes e estruturas diocesanas.

Um ano de reorganização, formação e afirmação
Dom Belmiro passou igualmente em revista alguns dos passos dados pela Associação ao longo do último ano.
Entre os momentos destacados esteve o encontro realizado em Viana, em Agosto de 2025, durante o qual foi aprovado o novo lenço dos dirigentes e assistentes.
O novo lenço tem vindo a ser entregue no âmbito das profissões de fé, num processo que, segundo o prelado, deve ajudar os dirigentes a aprofundarem a consciência da sua própria fé e das responsabilidades assumidas enquanto educadores cristãos.
Dom Belmiro defendeu, por isso, um acompanhamento pastoral permanente dos agrupamentos, articulado com as paróquias e os assistentes, para garantir que a formação escutista seja acompanhada pela necessária formação cristã.
SIGECA e crescimento da Associação
Outro dos instrumentos destacados foi o Sistema Integrado de Gestão dos Escuteiros Católicos — SIGECA, criado para organizar e consolidar os dados da Associação.
Segundo Dom Belmiro, mais de 36 mil membros encontravam-se já inscritos no sistema no momento da inauguração, num universo que estimou próximo dos 44 mil escuteiros católicos em todo o país.
O Bispo de Cabinda apresentou estes números como um sinal da dimensão alcançada pela organização, mas advertiu que o crescimento deve ser acompanhado de responsabilidade, estrutura e formação.
Formação de dirigentes e dimensão internacional
A qualificação dos adultos foi igualmente apontada como uma das prioridades da caminhada.
Dom Belmiro recordou as acções de formação de dirigentes e responsáveis pela formação, incluindo a actividade internacional realizada em Maio com a World Federation of Independent Scouts (WFIS), organização internacional na qual a AECA se encontra filiada.
Referiu também a participação da delegação angolana no Rovermoot Mundial realizado na Dinamarca, em Agosto, como uma das expressões da abertura internacional da Associação.
Para a liderança da AECA, esta dimensão deve contribuir para aprofundar conhecimentos, intercâmbio e experiências que depois possam ser colocadas ao serviço dos agrupamentos e dos jovens em Angola.
Uniformes, identidade e sustentabilidade

Dom Belmiro falou ainda do trabalho realizado para assegurar o acesso a uniformes oficiais e outros elementos da identidade visual da Associação.
O Assistente Nacional apelou aos membros para privilegiarem os canais oficiais da AECA na aquisição dos uniformes, defendendo que esta opção ajuda simultaneamente a preservar a identidade institucional e a sustentabilidade da organização.
A nova Sede Nacional integra, precisamente, uma Loja Escutista, além do armazém destinado à organização e conservação dos materiais da Associação.
“Ninguém ama o que não conhece”
A comunicação mereceu igualmente uma referência particular.
Dom Belmiro agradeceu o trabalho da equipa responsável pela comunicação da Associação e defendeu a importância de tornar conhecidas as actividades realizadas nos agrupamentos, dioceses e estruturas nacionais.
“É importante divulgar sempre o que fazemos, porque ninguém ama o que não conhece.”
Na sua perspectiva, a comunicação deve apresentar a vida da Associação com simplicidade, alegria, realismo e transparência, permitindo à sociedade conhecer melhor a contribuição dos Escuteiros Católicos.
Nova casa nasce de muitas mãos
Ao abordar directamente a inauguração, Dom Belmiro agradeceu à Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, que disponibilizou o espaço para instalação da Sede Nacional, bem como à Coordenação Nacional e às equipas que acompanharam o processo.
Destacou igualmente o apoio da Pumangol e dos seus parceiros na realização das obras.
O bispo agradeceu a Ivanilson Machado e manifestou o desejo de que a relação estabelecida continue a produzir iniciativas em benefício das crianças e dos jovens.
O agradecimento foi extensivo às equipas ligadas à formação, comunicação, gestão, uniformes e demais áreas que têm contribuído para a consolidação institucional da AECA.
Uma Associação aberta ao serviço

Na parte final da sua intervenção, Dom Belmiro reafirmou que a dimensão alcançada pela organização deve ser entendida como maior responsabilidade, e não como motivo de auto-exaltação.
Definiu a finalidade da AECA como a formação integral de crianças, jovens e adultos para que possam ser bons cristãos e bons cidadãos e reiterou o carácter voluntário e apartidário do movimento.
Defendeu igualmente a convivência e cooperação entre diferentes organizações escutistas, respeitando a identidade e as opções próprias de cada uma.
“Queremos ser diferentes, mas complementares. Com a nossa identidade, mas abertos a todos.”
Dom Belmiro colocou, assim, a Associação à disposição da Igreja, da sociedade e das instituições que necessitem do contributo voluntário dos Escuteiros Católicos.
Uma casa que deve produzir missão
Depois das intervenções, procedeu-se ao corte da fita inaugural, seguido da bênção e visita às novas instalações.
A Sede Nacional integra a área administrativa, espaços de formação e alojamento, armazém, Loja Escutista e o novo estúdio AECA Podcast, preparado para a produção de conteúdos de informação, formação e reflexão sobre Escutismo, juventude, Igreja e sociedade.
Foi precisamente neste estúdio que, já depois da inauguração, Dom Belmiro Chissengueti e Ivanilson Machado participaram numa edição especial do AECA Podcast, conduzida por Alexandre Cose, prolongando a reflexão sobre o significado da nova casa, o papel dos jovens e as possibilidades de cooperação futura.
O dia 23 de Setembro de 2026 entra, assim, para a história da Associação como aquele em que os Escuteiros Católicos de Angola ganharam formalmente uma casa nacional.
As portas abriram-se. Agora, o desafio é fazer com que cada sala, cada actividade e cada iniciativa realizada a partir deste espaço se transformem em oportunidade de formação, fraternidade, fé e serviço.
A casa é nossa. A missão continua.
Texto: Alexandre Cose | Leão Manso
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