Na abertura do ADRO 2026, em Luanda, o Padre José Cláudio emocionou cerca de 500 escuteiros ao conduzir o “Momento do Perdão” e afirmar que “sem perdão, não há liberdade”, defendendo — à luz do Evangelho de Mateus 18,21-35 — que perdoar é uma decisão capaz de romper correntes interiores e curar relações, num encontro marcado por testemunhos, oração comunitária e o apelo a viver o escutismo com coração mais leve e livre.

Luanda, 14 de Fevereiro de 2026 – Luanda viveu, na noite de abertura do ADRO 2026, um dos instantes mais fortes do encontro: o Momento do Perdão, conduzido pelo Padre José Cláudio, vigário paroquial e assistente-adjunto do Agrupamento Santa Cristina de Menino Jesus (Patriota), além de coordenador da Casa de Missão Obra de Maria.
Radicado há quatro anos em Luanda como visitador da Obra de Maria em Angola — presente também em Cabinda, Benguela e Malange — o sacerdote começou por saudar a presença do bispo celebrante e por realçar, com emoção, a dedicação de Dom Belmiro ao escutismo. “A agenda de um bispo não é fácil… e o quanto ele se faz presente no escutismo é incrível”, afirmou, arrancando aplausos aos cerca de 500 caminheiros, dirigentes e assistentes espirituais reunidos.
Um tema directo ao coração: liberdade e perdão
Com linguagem simples, mas incisiva, Padre José Cláudio lançou a pergunta que guiou toda a sua intervenção: “Quem aqui deseja ser livre?” E respondeu com uma frase-chave que ficou a ecoar no recinto:
“Sem perdão, não é possível ser livre. Não há verdadeira liberdade sem perdão.”
Para sustentar esta ideia, leu e comentou o Evangelho de Mateus 18, 21-35, sobre o perdão “setenta vezes sete”. O padre explicou que Jesus não está a pedir contas, mas a ensinar um caminho: perdoar sempre que for necessário, porque o perdão é uma decisão que rompe as correntes interiores.
“Não perdoar é ser prisioneiro com a chave na mão”
Um dos pontos mais marcantes da catequese foi o alerta de que a falta de perdão aprisiona quem guarda mágoa. “Não perdoar é decidir ser prisioneiro, tendo a chave na mão”, disse, insistindo que o perdão é, antes de tudo, dom de Deus, e ao mesmo tempo uma decisão pessoal.
Com exemplos vivos, recordou que carregar ressentimento pesa na alma e até no corpo: “Muito mais difícil do que perdoar é carregar a mágoa ao longo da vida.” E citou uma frase que provocou silêncio e reflexão entre os participantes: “Odiar alguém é tomar veneno querendo que o outro morra.”
Testemunhos que tocaram a assembleia
O sacerdote partilhou experiências concretas: a história de um encontro no autocarro, onde aconselhou uma mulher tomada de raiva a pedir a Deus a graça de perdoar; e, com especial emoção, contou uma vivência familiar em que decidiu pedir perdão e perdoar um a um — mãe, pai e irmãos — descrevendo como isso curou relações e renovou o amor dentro de casa.
A mensagem foi clara: perdoar não é fingir que nada aconteceu; é recusar viver preso ao mal recebido. E, com firmeza, deixou um apelo aos caminheiros: renunciar às frases interiores do tipo “eu nunca vou perdoar” e substituí-las por uma decisão simples: “Quero perdoar em nome de Jesus.”
Uma oração cantada: “A começar em mim”
O Momento do Perdão terminou em clima de oração comunitária, com todos a cantarem e rezarem: “A começar em mim, quebra-corações…”. Braços dados, abraços partilhados e palavras de reconciliação marcaram o encerramento, num gesto simbólico de unidade: “Decida ser livre. Perdoa sempre”, repetiu o padre, antes de convidar a assembleia a viver o ADRO com espírito de família.
A noite fechou com uma certeza proposta como compromisso: o escutismo católico cresce quando o coração se torna mais leve — e mais livre — pelo perdão.
Texto: Alexandre Cose | Leão Manso








