
Faltam 13 dias para o ADRO 2026. A Chefe Arieth Van‑Dúnem, Coordenadora Nacional do ADRO, descreve um misto de ansiedade boa e gratidão — e um plano minucioso para acolher centenas de caminheiros e dirigentes. A palavra‑chave é simples: método.
Entrevistada: Chefe Arieth Van‑Dúnem (Chefe Vária)
Função: Coordenadora Nacional do ADRO
Entrevistador: Alexandre Cose | Leão Manso
Contexto: Contagem decrescente para o ADRO 2026, no Colégio São José de Cluny
1) Faltam poucos dias. O que sente agora?
Chefe Arieth: É um misto de sentimentos. Estou com um frio na barriga enorme. Ansiosa e contente, porque estamos a trabalhar os mínimos detalhes para oferecer uma oportunidade educativa aos nossos jovens. Será a nossa primeira atividade em massa: cerca de 500 participantes entre caminheiros e dirigentes da quarta secção.
2) O que representa este momento para a AECA e para o escutismo católico em Angola?
Chefe Arieth: É um marco. Redefinimos a nossa rota enquanto Escuteiros Católicos e começamos pelos caminheiros. Isso dá sinal de rumo e de prioridade.
3) Logística de acolhimento, alimentação, dormida e circulação: como está organizada?
Chefe Arieth: A logística está acautelada. Teremos uma empresa para a alimentação; as equipas de serviço farão apenas a distribuição. A dormida será em salas de aula, com separação por sexo e também por função: caminheiros de um lado, dirigentes de outro. Estaremos no São José de Cluny. Há zonas de acesso condicionado, mas toda a antiga área da Universidade Católica foi cedida pelas Irmãs e garantirá a circulação necessária.
4) Segurança física, emocional e espiritual: que cuidados foram tomados?
Chefe Arieth: Na segurança física, teremos a polícia, os seguranças da escola e uma equipa interna de dirigentes. Na dimensão emocional e espiritual, teremos padres e madres acampados connosco, além dos Assistentes, sempre disponíveis quando precisarmos.
5) Saúde e emergências: a equipa está preparada?
Chefe Arieth: Sim. Temos uma equipa de saúde com dirigentes médicos e enfermeiros, o INEMA connosco e o Hospital Josina Machel (ex‑Maria Pia) como referência para eventuais evacuações.
6) Distribuição por espaços, clãs, turnos e atividades: como funcionará?
Chefe Arieth: Os participantes serão distribuídos por equipas, que formarão os clãs. As atividades decorrem em dois turnos: manhã das 11h às 13h30 e tarde das 15h às 17h30. Cada participante inscreveu‑se por dia em dois painéis e duas oficinas. A cada 45 minutos, há rotação. Nos intervalos, haverá pontos com dinâmicas.
7) Dioceses vindas de longe: como será a receção e integração?
Chefe Arieth: Algumas delegações chegam antes e partem depois. As dioceses de Luanda e Viana darão apoio de alojamento nesses dias, para que se sintam em casa desde a chegada.
8) Maior desafio logístico até agora — e como foi superado?
Chefe Arieth: Não tivemos nada que tirasse o sono. Começámos a preparar com antecedência. Eu tinha receio do material para os terços não chegar a tempo. Chegou. Está tudo controlado.
9) Gestão de horários e deslocações internas: há um plano específico?
Chefe Arieth: Há. Trabalharemos com os coordenadores para recolher horários de chegada aos pontos de desembarque. Teremos transporte dedicado até ao São José de Cluny. Só podemos entrar a partir das 9h do dia 13, e isso está alinhado com as delegações, quer cheguem no dia ou antes.
10) Comunicação interna durante o ADRO: como todos saberão o que fazer e para onde ir?

Chefe Arieth: Para cada painel e oficina há um dirigente destacado. Teremos equipas de serviço a orientar, sinalização e informação prévia às delegações com números de salas e locais. Na receção, faremos o briefing logístico: salas, balneários, alimentação e fluxos.
11) Papel dos dirigentes, chefes de clã e assistentes na ordem e espírito escutista:
Chefe Arieth: Mesmo como participantes, os dirigentes que acompanham jovens vão ajudar na manutenção da ordem. Na chegada, faremos checklist para reduzir ruídos. Os nossos Assistentes estarão presentes para acudir qualquer situação.
12) Para quem não conhece: o que é o ADRO e por que é importante?
Chefe Arieth: O ADRO é o espaço junto às igrejas onde tudo se fala e convive. No nosso caso, é uma oportunidade educativa integral para os caminheiros, a trabalhar todas as áreas de desenvolvimento, com enfoque especial na espiritual. O conteúdo vai agregar valores à vida de todos. Será inesquecível.
13) O que distingue o ADRO de um simples acampamento?
Chefe Arieth: A temática e o propósito. Será um grande encontro de espiritualidade, renovação e serviço à comunidade. Teremos, por exemplo, a oficina do Laudato Si’ e faremos benfeitorias na escola — deixá‑la um pouco melhor do que encontramos. Isto muda o tom e o impacto.
14) Mensagem central da Coordenação Nacional aos jovens:
Chefe Arieth: Importa tirar momentos para estar com o Criador e para o autoconhecimento. Que venham de coração aberto, dispostos a aprender e a ensinar; a fazer festa e a viver o ADRO; a conhecer pessoas e a agregar valor à própria vida e à vida dos outros. Está tudo a ser preparado ao mínimo detalhe, para uma grande oportunidade educativa que fique na memória e possa ser replicada nas dioceses. Quem ganha com isso? O escutismo católico. Se a palavra está para servir, estamos prontos para servir.
Nota biográfica — Chefe Arieth Van‑Dúnem (Vária)

– Arieth Varínia Pinto da Silva Van‑Dúnem
– Totem: Gaivota Indomável
– Casada, mãe de 2 rapazes e 1 menina
– Promessa de Júnior: 31/03/1996, Agrupamento N.º 1 São Domingos Sávio
– Promessa de Dirigente: 22/09/2009
– Secretária para Administração e Finanças na Junta Regional de Luanda (AEA)
– Chefe de Agrupamento (2017–2020)
– Formadora de Jovens (desde 2022) – Atualmente: Secretariado para Administração e Finanças da CN e Chefe‑Adjunta do Clã Frei Agostinho di Bassano


