
Entre lágrimas de gratidão e um emocionado “valeu a pena”, a Chefe Arieth Van-Dúnem (Chefe Vária) encerrou o ADRO 2026 com um testemunho que tocou profundamente os cerca de 500 participantes, transformando o momento final num verdadeiro acto de comunhão, reconhecimento e renovação da missão escutista católica em Angola.
Visivelmente comovida, ao agradecer padres, madres, dirigentes e caminheiros pelo empenho e confiança depositados na organização da primeira grande mobilização nacional da AECA nesta nova etapa, a coordenadora nacional sublinhou que, apesar dos desafios iniciais e das noites mal dormidas, o esforço colectivo produziu frutos espirituais duradouros — confirmando que o ADRO 2026 não foi apenas um evento, mas uma experiência que fortaleceu a identidade, a unidade e o compromisso do Escutismo Católico no país.
Texto – Alexandre Cose | Leão Manso
Luanda, 17 de Fevereiro de 2026 – O Colégio das Irmãs de São José de Cluny, ao Kinaxixi, transformou-se, durante 4 dias, na verdadeira capital do Escutismo Católico em Angola. Cerca de 500 caminheiros, dirigentes e assistentes espirituais – sacerdotes e religiosas provenientes de quase todas as dioceses do país, com exceção de São Tomé – participaram na 1.ª edição do ADRO, a primeira grande mobilização nacional da Associação dos Escuteiros Católicos de Angola (AECA) nesta nova fase da sua caminhada.
No momento de envio, marcado por emoção, gratidão e sentido de missão, a Coordenadora Nacional para o ADRO 2026, Chefe Arieth Van-Dúnem, mais conhecida por Chefe Vária, fez um balanço profundo e sereno da jornada, reconhecendo os desafios, celebrando as conquistas e reafirmando o compromisso de continuidade.
“Valeu a pena, vocês superaram as expectativas”, afirmou a Chefe Vária, dirigindo-se de forma especial aos sacerdotes e às religiosas que aceitaram ser oradores e animadores espirituais do encontro.
Num gesto intencional, explicou que escolheu padres e madres para conduzir os painéis e momentos formativos, precisamente para que pudessem conhecer mais de perto os jovens e, regressando às suas dioceses, sentissem ainda mais o dever de os acompanhar.
“Com todos os padres, a resposta foi rápida, foi um ‘sim’. Não houve dúvida”, sublinhou, agradecendo a disponibilidade e a generosidade pastoral demonstradas.
A coordenadora não escondeu que os primeiros momentos do encontro foram exigentes. Houve falhas, ajustes, alguma frustração inicial. “Na sexta-feira chorei muito”, confessou, recordando que o arranque dos painéis não saiu conforme o desenho que tinha idealizado após meses de preparação.
Contudo, como fez questão de assinalar, a tarde desse mesmo dia permitiu retomar o rumo e alinhar o encontro com o projecto inicialmente concebido. A partir daí, o ADRO ganhou consistência, densidade espiritual e ritmo formativo.
“Se não tivesse falha, não ia estar bom”, afirmou com humildade, sublinhando que os pequenos solavancos fazem parte de qualquer grande construção humana e espiritual.
UM ESPAÇO QUE AGREGOU VALOR

Para a Chefe Vária, o essencial foi alcançado: o ADRO agregou valor aos participantes.
Os jovens saem mais ricos, mais fortalecidos, mais conscientes da sua identidade e missão. Cresceram não apenas no compromisso com o movimento, mas também na adesão às orientações pastorais da Igreja, num momento particularmente sensível da vida escutista nacional.
Durante estes dias, o Kinaxixi viveu um dinamismo único: entradas e saídas organizadas, oficinas, painéis formativos, cânticos, louvor, momentos de adoração, partilha e aprendizagem prática.
Os caminheiros aprenderam a:
- confeccionar o terço mariano, reforçando a centralidade da espiritualidade;
- compreender o processo de produção das hóstias utilizadas na Eucaristia, aprofundando a consciência do valor sacramental;
- cantar, rezar e interiorizar orações;
- viver a fraternidade concreta, no método do aprender fazendo.
Cada gesto, cada oficina, cada momento litúrgico foi pensado como um espaço de formação integral – humana, espiritual e escutista.
Uma Igreja mais próxima dos jovens
Um dos grandes frutos do ADRO 2026 foi a aproximação entre jovens e pastores. A presença activa de Dom Belmiro Cuica Chissengueti, dos sacerdotes e das religiosas reforçou a convicção de que o Escutismo Católico não é uma realidade paralela, mas parte viva da Igreja.
Ao dirigir-se aos padres e às madres, a Chefe Vária foi clara: o ADRO foi também uma oportunidade para que conhecessem mais profundamente a juventude escutista e regressassem às dioceses com maior disponibilidade de acompanhamento.
O colégio das Irmãs de São José de Cluny tornou-se, por estes dias, um verdadeiro laboratório de comunhão eclesial.
PRIMEIRA GRANDE MOBILIZAÇÃO DESTA NOVA ETAPA

O ADRO 2026 assume um significado histórico. Foi a primeira grande mobilização nacional da AECA após as recentes decisões e orientações pastorais que redefiniram o enquadramento do movimento dentro da Igreja Católica em Angola.
Reunir cerca de 500 participantes, incluindo assistentes espirituais, dirigentes e jovens de quase todas as dioceses, demonstrou que a chama do Escutismo Católico permanece viva, organizada e confiante no futuro.
A coordenadora nacional sublinhou que o mais importante agora é reproduzir a experiência nas dioceses:
“Espero do fundo do meu coração que o ADRO tenha agregado valor a vocês, que saiam daqui com a vontade de reproduzir nas outras dioceses.”
A AECA mantém-se disponível para apoiar essa multiplicação local da experiência.
Uma liderança que não caminhou sozinha
Emocionada, a Chefe Vária agradeceu a toda a equipa de trabalho, reconhecendo que nada teria sido possível sem o esforço conjunto da Coordenação Nacional, das comissões e dos voluntários.
A preparação exigiu meses de planeamento, articulação logística, mobilização das dioceses e superação de obstáculos técnicos, nomeadamente no processo de inscrição e organização dos painéis.
O agradecimento estendeu-se igualmente às Irmãs de São José de Cluny, que abriram as portas da sua casa e acolheram com generosidade o encontro.
Envio com bênção e missão
O encerramento culminou com a bênção de envio, pedindo a Deus, com a padroeira Mamã Muxima à frente, protecção para as viagens e renovando o compromisso de cada participante como baptizado e enviado.
A mensagem final foi clara: o ADRO termina, mas a missão continua.
Os caminheiros regressam às suas dioceses por estrada, alguns fizeram mais de 900 km até aos respectivos destinos, como os de Menongue, Lubango e Namibe. O Contingente de Cabinda foi o último a deixar Luanda, seguindo de avião para o enclave, cerca das 20 horas desta Segunda-feira. Regressaram todos como sinais vivos do que experimentaram — com fé mais firme, espírito mais forte e identidade escutista mais consciente.
Se o Kinaxixi foi, por 4 dias, a capital do Escutismo Católico em Angola, agora cada diocese é chamada a tornar-se extensão viva desse mesmo espírito.
E, como afirmou a Chefe Vária, com convicção simples e profunda:
“Valeu a pena.”








