Sede Nacional

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Dom Belmiro:  “Ter uma casa é ter uma referência para a qual voltamos sempre”

Na noite da inauguração da sede nacional da Associação dos Escuteiros Católicos de Angola, o Coordenador Nacional, Dom Belmiro Chisenguete, falou ao AECA Podcast sobre o significado desta nova casa, a identidade do escutismo católico e o papel que a Associação pode desempenhar na formação dos jovens angolanos.

A Associação dos Escuteiros Católicos de Angola (AECA) inaugurou a sua sede nacional, instalada nas antigas caves da gráfica da CEAST, junto à Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, em Luanda. Na noite da inauguração, o Coordenador Nacional da AECA, Dom Belmiro Chisenguete, concedeu uma entrevista ao recém-lançado AECA Podcast, conduzida por Alexandre Cose.

Questionado sobre o significado da responsabilidade que hoje cabe ao escutismo católico junto da Igreja, Dom Belmiro começou por sublinhar que a AECA vive uma dupla dimensão: religiosa, enquanto base da sua identidade de fé, e social, enquanto associação aberta à relação com todos.

“Não somos exclusivistas”, afirmou, recordando que a diversidade é riqueza, mas que a uniformidade pode gerar pobreza e uma massa difícil de gerir. Foi precisamente essa procura de identidade própria, explicou, que levou a Associação a solicitar, ao longo dos últimos anos, o reconhecimento da coordenação nacional dos escuteiros católicos — não como ruptura, mas como forma de assegurar a autonomia funcional necessária à formação de jovens e adultos segundo os valores da fé e do Evangelho.

“Escuteiro é amigo de todos os outros escuteiros”, reiterou, ainda que cada organização abrace, dentro da diversidade da criação, perspectivas diferentes.

Uma casa é uma referência

Para Dom Belmiro, a nova sede nacional representa muito mais do que um espaço físico. “Ter uma casa é sinal de identidade, de autonomia”, afirmou, comparando o significado desta conquista ao valor simbólico da própria palavra “casamento”, cuja base é, precisamente, a casa.

A partir de agora, onde quer que se encontre um escuteiro católico angolano, saberá que ali, junto à Conferência Episcopal, está a sua casa nacional — um espaço aberto não apenas à grande família dos escuteiros, mas a “todos os homens e mulheres de boa vontade”. É ali que passam a estar centralizados os arquivos e documentos da Associação, bem como o espaço de venda dos uniformes oficiais. O desafio seguinte, afirmou, é “multiplicar esta casa” pelas dioceses do País.

Dom Belmiro recordou ainda a história do próprio edifício: durante anos, as caves ficaram votadas ao abandono e sujeitas a inundações recorrentes, por causa do encerramento dos colectores da via ao lado. Foi uma visita do Presidente da República, João Lourenço, à cave da Rádio Igreja — instalada no mesmo edifício — que viria a desencadear a reabilitação dos colectores e, indirectamente, a tornar possível a recuperação de todo o espaço, incluindo a actual sede da AECA.

Uma mensagem aos jovens: trabalho, família e dignidade

Questionado sobre o que a Igreja espera dos jovens — e o que os jovens podem esperar da Igreja — num contexto de desemprego e de fragilização das famílias, Dom Belmiro foi directo: Angola é um país de grandes possibilidades, mas que continua a ser procurado por imigrantes de vários países africanos em busca de oportunidades que muitos angolanos preferem não aproveitar.

Apontou como principais desafios a formação da consciência ética do cidadão, o combate à preguia e ao imediatismo, e a valorização do trabalho manual e das áreas técnicas e científicas. “Nenhum Estado se constrói com preguiçosos”, sublinhou, defendendo a necessidade de incutir nos jovens a mentalidade do trabalho, da pontualidade e da poupança.

Sublinhou também a importância da família como defesa contra a pobreza, partilhando o exemplo de antigos trabalhadores das petrolíferas que, apesar de anos de emprego estável, não conseguiram construir um futuro sólido para si e para os seus. E deixou um apelo à autonomia responsável: “Tem que pagar”, afirmou, recordando que a ajuda recebida — como a que tornou possível esta sede — deve ser um “empurrão” para caminhar com os próprios pés, e não um caminho para a dependência permanente.

Escutismo normal, portas abertas a todos

Questionado sobre a relação da AECA com a Associação Escutista de Angola (AEA) e com o movimento escutista mundial, Dom Belmiro reafirmou que a vida escutista da Associação decorre com normalidade, num funcionamento apartidário e voluntário, ao serviço da Igreja e de toda a sociedade angolana.

Reconheceu que a saída da AEA implicou a saída da Organização Mundial do Escutismo, mas defendeu que o multilateralismo permite outras formas de cooperação, não excluindo um futuro trabalho conjunto com a própria AEA em matérias comuns à identidade escutista.

Esclareceu ainda um ponto que, segundo referiu, tem gerado alguma confusão: qualquer jovem que não pertença à AECA pode participar livremente da vida da Igreja — rezar, receber os sacramentos, participar da vida eclesial — não podendo, apenas, fazê-lo fardado com o uniforme da Associação. “As portas estão abertas”, insistiu, apelando a que não se criem narrativas de exclusão em torno do escutismo católico.

Dom Belmiro encerrou a sua intervenção com uma palavra de profundo agradecimento — ao Dr. Ivanilson Machado e aos parceiros que tornaram possível a reabilitação da sede, e, em nome da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e do seu Presidente, Dom José Manuel Imbamba, a todos os bispos que apoiaram esta iniciativa.

Deixou, por fim, um apelo às instituições públicas e privadas do País: que abram as portas ao trabalho voluntário dos mais de 38 mil escuteiros católicos angolanos, contando com eles sempre que for necessário.

Texto: Alexandre Cose | Leão Manso

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A missão da AECA é formar bons cristãos empenhados e comprometidos com a fé católica, promovendo mudanças significativas nas suas comunidades e promovendo a doutrina, pedagogia da fé e espiritualidade.

Podem participar adultos responsáveis, jovens e crianças integrados nas paróquias, comunidades ou missões da Igreja Católica sob a responsabilidade da CEAST, obedecendo as regras de idade e critérios específicos de cada unidade.

A sede da AECA está situada na província de Luanda, Município do Sambizanga, na Rua Comandante Bula, n.º 118, com vigência indeterminada.

A organização inclui órgãos centrais como o Encontro Nacional dos ECA (ENECA), Coordenação Nacional dos ECA (CNECA), Conselho Fiscal, Conselho de Ética, além de órgãos locais como as Coordenações Diocesanas, Vigararias e Agrupamentos.

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