HISTÓRIA DA AECA
Associação dos Escuteiros Católicos de Angola
O Escutismo Católico em Angola
Crónica de um ideal que nunca se apagou ⚜️
Há histórias que não começam numa data exacta, nem num decreto, nem numa assembleia. Há histórias que começam num gesto simples: num grupo de jovens reunidos à sombra de uma árvore, num lenço atado ao pescoço, numa Promessa dita em voz baixa, mas levada a sério para toda a vida.
A história do escutismo em Angola não é uma linha recta. É um caminho — com avanços e recuos, silêncios e reencontros, coragem e espera.
Quando tudo começou (1924–1932)
O escutismo chegou a Angola em 1924, ainda no tempo colonial, trazido por mãos portuguesas, ligado ao Corpo Nacional de Scouts (CNS). Rapidamente ganhou sotaque angolano, corpo africano e coração local.
Em 1932, a Igreja Católica dá um passo decisivo com a criação do primeiro grupo do Corpo Nacional de Escutas (CNE) em Angola. O escutismo católico cresce de forma silenciosa, mas firme, enraizado nas paróquias, missões e escolas.
O silêncio imposto (1975)
Com a Independência de Angola, em 11 de Novembro de 1975, o escutismo é proibido. Os lenços desaparecem, as patrulhas dissolvem-se, as fogueiras apagam-se.
Durante mais de 16 anos, o escutismo sobrevive apenas na memória. Era um escutismo sem uniforme — mas não sem alma.
O reencontro com o ideal (1990–1991)
No dia 15 de Agosto de 1990, cerca de 35 antigos escuteiros reúnem-se em Luanda. Não eram jovens aventureiros, mas homens e mulheres marcados pela vida e pela guerra, unidos pela memória e pela convicção.
Em Fevereiro de 1991 nasce a Associação Nacional de Escuteiros (ANE). A 16 de Junho de 1991, no Seminário dos Capuchinhos, dezenas de escuteiros fazem novamente a Promessa. O futuro reabria-se.
A decisão da Igreja (2 de Dezembro de 1991)
Dom Alexandre Cardeal do Nascimento, Arcebispo de Luanda e Presidente da CEAST, assina o Decreto de Aprovação do Escutismo Católico em Angola.
O escutismo católico torna-se missão reconhecida da Igreja, com identidade própria, enraizada na fé e orientada para o serviço.
Unidade possível e crescimento (1994–2018)
Em 1994 nasce a Associação de Escuteiros de Angola (AEA), fruto da fusão AECA + ANE, sob mediação da Igreja. Angola entra na família mundial do escutismo em 1998.
O escutismo cresce, serve e educa. Em 2017 celebra-se o jubileu dos 25 anos da reactivação.
Identidade, fidelidade e novo capítulo (2019–2026)
Em 2019, a CEAST reforça o acompanhamento pastoral. Em Julho de 2025, decide suspender a participação católica na AEA, por fidelidade à identidade cristã.
No Censo Nacional de Dezembro de 2025, 43.463 escuteiros católicos permanecem ligados à Igreja. A AECA entra num novo capítulo, com memória, experiência e esperança.
📌 Linha do Tempo – Escutismo Católico em Angola
CARDEAL D. ALEXANDRE DO NASCIMENTO
ARCEBISPO DE LUANDA
CARDEAL D. ALEXANDRE DO NASCIMENTO
ARCEBISPO DE LUANDA
Cx. P. 82
Tel. 334640/41
LUANDA – ANGOLA
DECRETO DE APROVAÇÃO DO ESCUTISMO CATÓLICO EM ANGOLA
Tendo presente que o futuro dos homens tê-lo-á a Instituição que der à Juventude razões de vida e de esperança, como afirmou o Concílio Vaticano II;
A Igreja em Angola tem demonstrado que a Juventude lhe merece os mais atentos cuidados e desvelos.
E um dos sectores que os Bispos de Angola pensam acautelar de modo especial é o Escutismo, dadas as circunstâncias particularmente favoráveis actualmente existentes.
Baden Powell teve justíssima intuição quando criou, nas primeiras décadas deste século, o movimento que tanto entusiasmo suscitou e ainda suscita, sobretudo na Juventude: o escutismo.
Já o tivemos entre nós e de feição católica.
Há quem dele se lembre e que, por isso, insista para que de novo venha em ajuda à juventude sem rumo.
Tudo isto ponderado, e na nossa qualidade de Presidente da Conferência Episcopal de Angola, decretamos a existência jurídica do Escutismo Católico em Angola, reconhecendo-o, por isso, como Organização da Igreja Católica, de âmbito nacional.
Este Decreto será oportunamente objecto de regulamento.
Comunique-se.
Luanda, 02 de Dezembro de 1991.
A. Cardeal do Nascimento
Arcebispo de Luanda e Presidente da CEAST.