
A poucos dias do arranque do ADRO 2026, que começa já no dia 13 de Fevereiro, no Colégio São José de Cluny, em Luanda, a mobilização está em alta. O encontro, organizado pela Coordenação Nacional dos Escuteiros Católicos de Angola, vai reunir pelo menos 500 participantes, entre caminheiros, dirigentes e assistentes espirituais, naquele que é o primeiro grande evento de massas do escutismo católico no país.
Entre as várias dimensões do programa, a espiritualidade assume um lugar central. É nesse contexto que surge o Momento do Perdão, uma das actividades-chave do ADRO, que será trabalhada logo no início do encontro, na Sexta-feira à noite.
Em conversa com o site da AECA, a Chefe Elsa Pereira, membro da Comissão do Momento do Perdão e também dinamizadora da Oficina/Painel 10, garante que está tudo pronto:
“Tudo em dia, chefe. Que venha o ADRO. Estamos prontos para o momento para parar, rezar e curar.”
Segundo a Chefe Elsa, o Momento do Perdão será um tempo forte de espiritualidade, pensado especialmente para ajudar os jovens a entrar no verdadeiro espírito do ADRO:
“Vamos trabalhar a espiritualidade dos jovens. Falar da necessidade do perdão entre irmãos e criar um verdadeiro momento de encontro com Deus, para que percebam a essência do ADRO e também da Igreja.”
Este momento acontecerá logo após o chamado “assalto à cidade”, na Sexta-feira, e terá a duração de cerca de duas horas, com um programa já definido que inclui partilha da Palavra, cânticos e momentos de oração, todos centrados no tema do perdão.
PERDÃO: UM VALOR EM CRISE, MAS ESSENCIAL

A Chefe Elsa não hesita em reconhecer que o perdão é hoje um valor em crise:
“São valores que estão em crise, não só no escutismo, mas também nas famílias, na escola, no trabalho. Muitas vezes falamos de perdão da boca para fora, mas não o vivemos de verdade.”
Para a dirigente, aprender a perdoar não é opcional — é essencial para a própria vida espiritual:
“Eles precisam entender a essência do perdão para a sobrevivência da nossa espiritualidade.”
Um ADRO que responde a um tempo difícil
Questionada sobre como o tema do perdão se enquadra no contexto actual vivido pelo escutismo católico em Angola, marcado por escolhas difíceis e tensões recentes, a Chefe Elsa é clara e serena:
“Foi doloroso, foi difícil, sim. Mas precisamos aprender a aceitar as escolhas do outro. Uns escolheram ficar nos Escuteiros Católicos de Angola, outros decidiram permanecer na Associação de Escuteiros de Angola. Isso não pode ser motivo de rixas.”
Ela aponta as redes sociais como um espaço onde, infelizmente, o conflito tem sido alimentado:
“Todos os dias vemos falta de respeito, ofensas desnecessárias. Isso não ajuda ninguém.”
Para a dirigente, o perdão é também um caminho pessoal de salvação:
“Quando eu libero o perdão para esse irmão escuteiro, para essa irmã escuteira, estou a trabalhar a minha própria salvação.”
FRATERNIDADE ACIMA DE TUDO

Com centenas de jovens reunidos num mesmo espaço, vindos de realidades diferentes, o desafio é grande. Mas a mensagem é simples e directa:
“Temos de aprender a viver em fraternidade. Somos todos irmãos, independente de qualquer coisa.”
É essa mensagem que será transmitida aos caminheiros durante o ADRO: respeito, fraternidade, perdão e comunhão.
OFICINAS QUE LIGAM FÉ E VIDA
Além do Momento do Perdão, a Chefe Elsa integra a Oficina/Painel 10, dedicada ao tema da Amizade Social, inspirado na reflexão do Papa Francisco:
“Vamos falar da fraternidade, da amizade social, não só no escutismo, mas também na escola, no trabalho e na família.”
Um ensaio para desafios maiores
Para a dirigente, o ADRO 2026 é também um grande ensaio organizativo, inclusive tendo em vista a futura participação dos escuteiros católicos na visita do Santo Padre a Angola:
“Podemos considerar, sim, que é um ensaio. Para a vinda do Papa, o número de pessoas pode ser o triplo ou mais.”
Mensagem final aos jovens
No final da conversa, a Chefe Elsa deixa um convite simples, directo e cheio de espírito escutista:
“Estamos à espera. Está tudo preparado. Façam boa viagem e vemo-nos no ADRO.”

⚜️ ADRO 2026 está mesmo aí.
Luanda vai ser ponto de encontro, de fé, de fraternidade e de perdão.
Por: Alexandre Cose | Leão Manso


